Pesquise a sua casa passo a passo

SIGA OS SEGUINTES PASSOS PARA OBTER O SEU RELATÓRIO DE VALOR IMOBILIÁRIO

  • 1 Preencha o formulário abaixo com os dados do fogo cujo valor/renda pretende determinar.
  • 2 Confirme antes de submeter o formulário.
  • 3 Preencha os campos com os seus dados de contacto.
  • 4 Proceda ao pagamento eletrónico do serviço. Cada Relatório tem um preço de 30,00€.
  • 5 Os dados do imóvel serão reportados à Confidencial Imobiliário (Ci) que em 24 horas* devolve um relatório por via eletrónica. Antes de serem enviados, os resultados são validados por um técnico da Ci, recorrendo à análise estatística do mercado / tipologia selecionados.
  • * No caso de pedidos realizados aos sábados, domingos ou feriados, ou após as 18h00, as 24 horas contam-se a partir das 9h00 do 1º dia útil seguinte.

Notícia

Reabilitação Urbana consolida-se como “verdadeiro desígnio nacional”

Decorre esta semana a V edição da Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, numa altura em que o setor atravessa “um novo ciclo de consolidação da reabilitação como um verdadeiro desígnio nacional”

Ana Tavares

O setor atravessa “um novo ciclo de consolidação da reabilitação como um verdadeiro desígnio nacional”, disse Manuel Reis Campos, presidente da CPCI - Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, na abertura da V edição da Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, que decorre até 15 de abril na capital portuguesa.

Manuel Reis Campos referiu que “estamos no bom caminho, Portugal encarou a reabilitação como um dos motores da produtividade territorial e dinamizadora económica e social”, e considera que “Lisboa é hoje uma metrópole cosmopolita que figura nos principais roteiros mundiais”. Esta dinâmica “permite-nos afirmar que é o momento certo para recuperar as cidades, num momento regenerador. Está em causa mais do que a recuperação física do património construído, mas também uma reabilitação inteligente e sustentável para a competitividade territorial”.

O presidente da CPCI admite que o acesso ao financiamento “continua a ser uma das dificuldades”, com o investimento privado a ser notório, mas também não deixou de referir que “a disponibilização de recursos públicos começa a ser uma realidade no terreno, com Lisboa a assumir o seu protagonismo”.

Para este responsável, é claro que “as empresas assumiram este desafio”. E devem ser apoiadas, apontando como principais reptos questões como o trabalho clandestino ou o já referido acesso ao financiamento. “Há intervenções que não estão sujeitas a licenciamento e outras escapam à fiscalidade. Há trabalho clandestino ao qual há que colocar um fim”.

O presidente mencionou ainda a marca RU-IS - Reabilitação Urbana Inteligente e Sustentável, cujo “nível de adesão é regulador do seu interesse e importância”, sendo que “os donos de obra reconhecem atributo à marca do qual não querem prescindir para garantir a qualidade máxima das suas obras”.



Reabilitação é central nas políticas urbanas

A abertura da Semana da Reabilitação de Lisboa contou com a presença de João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente. Para o governante, é tempo de tomar decisões na área da habitação. “Hoje, a Reabilitação Urbana é um objetivo central das politicas urbanas”, e a sua contribuição para a proteção e qualificação do meio ambiente “é essencial e consensual”.

Realçando a importância do apoio e qualificação das empresas, destacou programas como o IFRRU, que já regista “números impressionantes”, o Casa Eficiente, que verá um novo protocolo assinado ainda esta semana, ou a constituição do Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado, que ficará pronto “em menos de um mês”. Já o Reabilitar para Arrendar “está em velocidade cruzeiro”.

E notou que “a política de reabilitação do Governo não acaba aqui. Queremos criar condições para que a reabilitação passe de exceção à regra. A reabilitação é um desafio partilhado pelo Governo”. Além disso, “será evidente o papel da reabilitação nas novas políticas de habitação, e o inverso terá também de ser verdadeiro”, concluiu.

O ministro explicou na sessão de abertura que a construção e infraestruturação acarretam um enorme consumo de recursos, pelo que “a expansão da urbanização terá sempre impacto”. E clarificou que o edificado é o consumidor da maior quota de energia e “grande fonte de resíduos”. Na sua opinião, a Reabilitação Urbana (RU) promove a reutilização eficiente dos recursos, em contraponto ao abandono da expansão dos centros para as periferias. “Permite melhorar a eficiência energética, uma das formas mais eficazes para dar cumprimento aos compromissos de redução de emissões”.

De resto, João Pedro Matos Fernandes assevera que “confrontamo-nos com um problema humano”, até porque “somos nós a geração futura do desenvolvimento sustentável”. “Enganamo-nos se pensarmos que a génese do problema está ligada à energia. Teremos sempre fontes de energia ao nosso dispor, mas os materiais e as matérias-primas vão mesmo acabar”, exemplificou. “E a construção precisa de muita. Já extraímos da terra todos os materiais que precisamos para reabilitar ou construir nos próximos anos. Recursos não se regeneram no tempo das nossas gerações”. Daí salientar ser fundamental o bom uso das matérias-primas e “apostarmos declaradamente na Reabilitação Urbana”.



O Governo e a RU

Mas a política de RU do Governo não acaba aqui, garante João Pedro Matos Fernandes. E para além da já referida criação de condições para que a Reabilitação Urbana passe de exceção, o ministro falou ainda na “confiança que os programas e medidas apresentados mostram a aposta decisiva do Governo na RU”.

“A aposta na Reabilitação Urbana é forte e clara na procura de cidades mais densas e partilhadas, mais capazes de servir os cidadãos a custos baixos”. Mas João Pedro Matos Fernandes assegura que sua efetivação agrega todo o “vosso” empenho. “A Reabilitação Urbana é desafio partilhado pelo Governo, meio académico, ordens profissionais, instituições financeiras, todos os cidadãos e profissionais, um setor que dá cartas mundo fora”.



Lisboa lança nova operação de Entrecampos

Durante a abertura do evento, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, anunciou que será apresentado “ainda no primeiro semestre” a nova operação da zona de Entrecampos, incluindo a antiga Feira Popular, incluindo “lotes de edifícios e terrenos municipais ao longo da Avenida das Forças Armadas, ou lotes de escritórios e equipamentos ao longo da Avenida Álvaro Pais”. “Queremos apresentar a todos uma visão integrada para o desenvolvimento de uma zona que tem uma oportunidade única para fazermos cidade. É das operações imobiliárias mais importantes do país este ano, certamente das maiores em toda a Europa, e será um momento marcante na vida da cidade”.

Fernando Medina acredita que “é à fileira da construção e do imobiliário que devemos muitos dos resultados que o país está a ter. Não existira uma dinâmica tão grande do turismo sem a reabilitação. O setor respira outra confiança depois de quase 20 anos de quebra contínua”.

Deixando a sua “palavra de encorajamento e confiança para prosseguirmos a requalificação de Lisboa e a projeção do setor”, O autarca salientou as linhas de orientação fundamentais que a autarquia pretende seguir nos próximos anos, nomeadamente continuar a requalificação do espaço público, em especial na zona ribeirinha até Santa Apolónia. A prioridade à mobilidade pelo transporte público será também ela uma prioridade, bem como o programa Renda Acessível. Acredita que há que “lidar com a outra face” do crescimento do turismo e da reabilitação das cidades, respondendo a uma nova dinâmica da habitação que se verifica.



RU enquanto motor de fixação de pessoas

Abel Mascarenhas, administrador-executivo do IFRRU, na sua apresentação, admite não ter qualquer dúvida que este é um tema de maior relevância, classificando a Reabilitação Urbana de “motor de fixação das pessoas e atividades e fator de inclusão social e de preservação da identidade de cada território”. O administrador é da opinião que esta é uma forma de “urbanismo mais racional e sustentável, dando resposta às necessidades do país, das cidades e das pessoas” e clarificou que Portugal tem um milhão de edifícios que requerem reparação.

Mencionou ainda o protocolo assinado com a Associação dos Municípios Portugueses, “executando uma verdadeira política de descentralização”. E o facto de estarem a trabalhar “com a AICEP para um novo protocolo para captação de financiamento estrangeiro e para os nossos emigrantes que podem ver no IFRRU 2020 uma oportunidade para reabilitar as suas casas”.

Abel Mascarenhas diz mesmo que o IFRRU 2020 já é visto fora das fronteiras nacionais como “um caso de estudo europeu” porque consegue combinar diferentes fontes de financiamento, de diferentes entidades. “Transformamos 100 milhões de euros do Portugal 2020 em 1,4 milhões para a Reabilitação Urbana”.

Aliás, A Reabilitação Urbana é, nas palavras de Abel Mascarenhas, a chave da mudança para um novo paradigma, para políticas centradas nas pessoas, para criar cidades com futuro. “Não temos qualquer tipo de restrição. Queremos mais reabilitação, mais desenvolvimento, maior sustentabilidade. É um instrumento do Portugal 2020 integrado nas novas políticas da habitação. É o melhor instrumento que existe em Portugal, tem as melhores condições financeiras, e há um interlocutor privilegiado em cada município, para que a Reabilitação Urbana encontre aqui uma Via Verde para os seus investimentos”.

Garantindo que apoiam “os projetos bons e sustentáveis com o apoio dos municípios e dos certificados da ADENE”, clarifica serem projetos selecionados que podem usufruir de condições financeiras únicas no mercado junto dos bancos parceiros. “Podemos dizer que a Reabilitação Urbana está em marcha, o IFRRU está no terreno a financiar. São 60 as candidaturas com valor de investimento de 194 milhões de euros. E o nosso potencial de investimento traduz-se em 400 intenções de investimento num valor de mil milhões. Depende do nosso empenho e determinação. As nossas cidades não podem perder esta oportunidade. O futuro das nossas cidades está nas nossas mãos”.



Ciclo longo e complexo

Luís Saraiva, secretário-geral da CPCI, que falou no evento sobre o programa Casa Eficiente, admite já ter sido percorrido “um ciclo longo e complexo”. Na sua apresentação, que ocorreu na passada segunda-feira, explicou que a Casa Eficiente tem por objetivo complementar os outros programas e instrumentos financeiros que estão no mercado, com o objetivo de “chegar ao proprietário sem quaisquer condicionalismos”. “Visa financiar operações de Reabilitação Urbana em eixos fundamentais de eficiência e sustentabilidade, potenciando aquilo que são estas intervenções”.

Na prática, diz Luís Saraiva que serão concedidos “empréstimos em condições favoráveis, envolvendo várias entidades”. O programa aplica-se a todo o território nacional, sobre prédios urbanos ou frações autónomas. A CPCI “porque agrega toda a fileira do setor”, será a promotora do programa, trabalhando na sua divulgação. “Todo o processo será desmaterializado, assente no princípio da simplificação”.

Na primeira fase, o montante envolvido é de 200 milhões de euros, metade do Banco Europeu de Investimento e metade da banca comercial. “Estamos certos de que será um sucesso e que será alargado a todo o território nacional”.