Cushman & Wakefield reúne promotores e investidores no Porto para debater défice de oferta habitacional

07/10/2026
Cushman & Wakefield reúne promotores e investidores no Porto para debater défice de oferta habitacional

A Cushman & Wakefield (C&W) reuniu, no passado dia 1 de outubro, no Porto, um grupo de promotores e investidores imobiliários para a apresentação do seu novo relatório sobre o mercado residencial nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Entre os presentes contavam-se representantes da Alma Development, da Avenue, da Mome, da Nevoa, M. Caetano e do IDS Group.

O documento, da autoria de Ana Gomes, Head of Research & Insights da consultora, é descrito pela própria C&W como o "primeiro relatório inteiramente dedicado" à promoção residencial nas duas áreas metropolitanas, e deverá passar a ter uma publicação bienal. A análise cobre 18 concelhos e cruza dados de licenciamento, vendas, arrendamento e potencial de Build-to-Rent (BTR).

Entre as conclusões apresentadas, destaca-se um défice estrutural que se arrasta há quase duas décadas: o número de fogos licenciados em Portugal, que ultrapassava os 70 mil por ano antes de 2008, caiu para cerca de 10 mil no período mais crítico da crise e recupera agora para perto de 40 mil em 2025, ainda longe dos níveis pré-crise. O mercado continua, segundo o estudo, dominado pela venda de habitação usada — 88% das transações na Área Metropolitana de Lisboa e 73% na do Porto, em 2025 —, com a nova promoção a ter "impacto insuficiente" na correção do desequilíbrio entre oferta e procura.

O relatório sublinha ainda uma crescente clivagem territorial: Lisboa e Porto consolidam-se como mercados estruturalmente fortes, sustentados pela retenção de população em idade ativa, enquanto vários concelhos periféricos enfrentam um "paradoxo" — mais agregados familiares e mais necessidade habitacional, mas menor capacidade de gerar procura solvente. A valorização dos preços em Portugal está, de acordo com os dados citados, entre as mais acentuadas da Europa.

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Quanto ao arrendamento, a C&W descreve um mercado "reduzido e pouco profissional", disperso por pequenos proprietários privados. O estudo dedica um capítulo ao potencial do Build-to-Rent, hoje praticamente inexistente em Portugal apesar da procura, devido aos custos de construção e à incerteza regulatória. O recente pacote "Construir Portugal — Arrendamento e Simplificação", aprovado no final de 2025 e com medidas fiscais como a redução do IVA para 6% e do IRS para 10% em rendas até €2.300/mês, é classificado no relatório como um "sinal positivo", mas "pouco provável" que seja suficiente, por si só, para viabilizar o segmento em escala.