O Grupo HOMAG tem uma presença forte, a nível global, na indústria de produção de casas de madeira. E em Portugal? Existe mercado para este tipo de indústria?
Sem dúvida que sim. Portugal acomodou-se durante décadas aos sistemas construtivos mais tradicionais, mas os novos paradigmas sociais, ambientais, técnicos e económicos, estão a provocar mudanças significativas. Se tomarmos como referência os mercados mais desenvolvidos da Europa e do mundo, percebemos que a construção industrializada, nomeadamente em madeira, é uma das soluções mais relevantes.
E o setor empresarial privado em Portugal é extremamente dinâmico. Cada vez mais as empresas estão a olhar para a industrialização da construção como uma decisão estratégica, e não apenas como uma alternativa tecnológica.
Quando falamos de industrialização da construção, do que estamos realmente a falar?
Estamos a falar de transferir para o chão de fábrica uma grande parte dos processos que tradicionalmente acontecem em obra. Num ambiente industrial, é possível produzir com processos muito mais controlados, repetíveis, escaláveis e altamente eficientes. Consegue-se uma maior precisão, melhor planeamento, menos desperdício e um nível de qualidade muito mais consistente.
Na obra, a eficiência é altamente influenciada por fenómenos exógenos, como as condições climatéricas, disponibilidade de mão de obra mais física, condições de luminosidade, impactos na vizinhança e condições urbanas, acessibilidades e, ao mesmo tempo, é comprometida pela falta de ergonomia, pelo enorme risco de acidentes, e por dificuldades latentes na supply chain de recursos produtivos. No chão de fábrica tudo é diferente. Tudo é mais previsível e controlado.
Quais as principais vantagens competitivas dessa industrialização? A industrialização não compromete a qualidade final do que é entregue ao cliente?
Começando pela segunda parte da pergunta, a resposta é claramente não! Pelo contrário. A industrialização aporta antes um aumento significativo na qualidade do produto final.
Na fábrica, tudo pode ser medido, monitorizado, validado. Há muito mais rigor em todas as operações. Os processos e os custos são mais previsíveis, são repetíveis e menos dependentes da qualidade individual dos executantes, o que aumenta radicalmente a produtividade por colaborador. Isto é um fator importantíssimo.
Simultaneamente, ao nível da segurança e saúde dos operadores, é incomparavelmente melhor.
A industrialização tem um grande impacto ao nível da eficiência de custos – imaginemos as poupanças ao nível de horas extras, tempos de deslocação e improdutividades, permite uma gestão de aprovisionamentos incomparavelmente mais eficaz e, muito importante, permite replicar os processos múltiplas unidades fabris ou, por exemplo, trabalhar em turnos, o que na obra é extremamente difícil.
Por fim, se somarmos a isto tudo a possibilidade de implementação de tecnologia, maquinaria, robotização e outros sistemas produtivos industrializados, então estamos perante uma alavancagem da capacidade, uma enorme redução dos prazos e uma otimização total da qualidade da entrega. Os ganhos são muito impactantes.
A construção civil, em Portugal, está atrasada face a outras indústrias em termos de automação e incorporação de tecnologia?
Sim, de forma geral sim. Quando comparamos a construção civil com setores tradicionalmente mais competitivos, e que competem em ambientes mais “hostis”, de facto este setor está francamente atrasado.
Mas a realidade está a mudar rapidamente. A pressão causada por fatores como a escassez de mão de obra, a imprevisibilidade dos custos de matérias-primas e meios produtivos, as alterações climáticas e a constante flutuação das condições macroeconómicas, não deixam outra alternativa.

Marco André Silva, Partner Manager da HOMAG
A falta de mão de obra qualificada é um aspeto pertinente, e uma dor que afeta inúmeras empresas. Ao mesmo tempo, há uma carência de habitação generalizada. A construção modular e offsite serão uma das respostas a estes desafios?
Serão certamente uma das respostas mais eficazes. Construir mais habitação, mais rapidamente, é possível com a industrialização, incorporação de máquinas, software, inteligência artificial e pela “produtização” e modularização das casas.
Nesta matéria, a madeira assume um papel preponderante. A madeira é natural, ecológica, fácil de trabalhar, reutilizável e sem desperdícios, e confere às casas uma inigualável qualidade de utilização. Viver numa casa de madeira é mais confortável, mais saudável, mais económico em termos energéticos, e apresenta um sem-número de outras vantagens. E industrializar a produção de casas de madeira é, de facto, uma decisão e um investimento inteligentes.
É aqui que a HOMAG acrescenta valor verdadeiramente?
Sem dúvida. No Grupo HOMAG, nomeadamente com as nossas insígnias WEINMANN, KALLESÖE e SYSTEM-TM, implementamos soluções industriais totalmente automatizadas, escaláveis, flexíveis e altamente eficientes.
Nestas insígnias, fabricamos e implementamos soluções para produção industrial e automatizada de estruturas de madeira, wood frame, e também para a fabricação de CLT, vigas lameladas e inúmeras outras soluções para a indústria da construção em madeira.
Um dos pontos fortes da nossa oferta é a escalabilidade das nossas soluções. Fornecemos linhas de produção tanto a pequenas empresas que buscam o máximo de rentabilidade e produtividade, por vezes em espaços de produção pequenos, como a empresas médias dinâmicas que precisam de ganhar escala e capacidade de produção, mas que ao mesmo tempo têm que ter a flexibilidade de produzir por medida e projetos individuais, até às maiores fábricas do mundo, que confiam incontestavelmente na HOMAG para a planificação e implementação das suas fábricas.
Na HOMAG temos a solução de A a Z. Começamos na consultoria e no apoio à conceptualização das fábricas, à implementação das mesmas, passando pelo fornecimento das máquinas com as mais avançadas tecnologias do mercado, fornecemos sistemas de controlo de produção e monitorização constante da fábrica, e uma coisa que valorizamos em absoluto: a formação e o auxílio à melhoria constante dos nossos clientes.


