Mercado residencial: preços sobem enquanto vendas abrandam

22/07/2026
Mercado residencial: preços sobem enquanto vendas abrandam

O mercado habitacional português iniciou 2026 com uma redução do número de transações, mas sem perder dinamismo ao nível dos preços. Os dados divulgados pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) mostram que, no primeiro trimestre do ano, foram vendidos 37.745 alojamentos, num valor global de 9.921 milhões de euros.

Face ao período homólogo de 2025, o montante transacionado aumentou 3,2%, enquanto o número de habitações vendidas recuou 8,7%, evidenciando que a valorização dos imóveis continua a compensar a quebra do volume de negócios.

A comparação com o trimestre anterior confirma igualmente um abrandamento da atividade. Entre janeiro e março, o valor das transações diminuiu 7,9% e o número de alojamentos vendidos caiu 12,4%.

Apesar deste recuo, os preços continuam a acelerar. O Índice de Preços da Habitação registou uma subida homóloga de 17,8% e um crescimento de 3,8% face ao último trimestre de 2025, confirmando que a pressão sobre os valores de venda permanece elevada.

Um dos fatores que continua a sustentar o mercado é o financiamento bancário. Até ao final de abril, as instituições financeiras concederam 7.778 milhões de euros em novos créditos à habitação, excluindo renegociações, o que representa um aumento de 11,9% relativamente ao mesmo período do ano passado. Em simultâneo, as taxas de juro mantiveram-se praticamente inalteradas desde o início do ano, contribuindo para preservar a procura.

No que respeita à atividade construtiva, os indicadores revelam comportamentos distintos entre os segmentos residencial e não residencial. Até abril, a área licenciada para edifícios habitacionais diminuiu 7,2% em termos homólogos, enquanto a área destinada a edifícios não residenciais registou um crescimento de 18,2%.

Já no caso da construção nova para habitação, foram licenciados 14.099 fogos entre janeiro e abril, menos 1% do que no mesmo período de 2025. Ainda assim, a AICCOPN sublinha que, em termos absolutos, este volume se mantém muito próximo do registado no ano anterior.

A evolução da atividade também se reflete no consumo de cimento. Até ao final de maio, o mercado nacional absorveu 1,713 milhões de toneladas, um crescimento homólogo de 4,6%, indicador que aponta para a continuidade da execução de obras.

Já nas obras públicas, o cenário foi menos positivo. O valor global dos concursos promovidos até maio atingiu 2.906 milhões de euros, menos 44% do que no mesmo período de 2025. Segundo a AICCOPN, esta redução resulta, sobretudo, do efeito de comparação com o lançamento, no ano passado, do concurso da Linha Violeta do Metro de Lisboa, um projeto de dimensão excecional.

Também o valor das empreitadas contratadas e registadas no Portal Base recuou, embora de forma menos acentuada. Até ao final de maio, foram celebrados contratos no montante de 1.788 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição homóloga de 23%.

No conjunto, os indicadores mostram um mercado habitacional que continua a ser sustentado pela valorização dos imóveis e pelo crescimento do crédito à habitação, embora a redução do número de transações e o abrandamento do licenciamento residencial revelem sinais de maior prudência por parte dos agentes do mercado.