Francisco Campilho
Francisco Campilho
Diretor Geral Adjunto da Victoria Seguros

Estamos a Recrutar

14/09/2022

Com efeito, a partir deste mês já estaremos todos de olhos voltados para 2023. O andamento do ano 2022, com todas as suas surpresas e acontecimentos, já está, esperemos, definido (mas ainda não certo!) e teremos a partir de agora a oportunidade de começar a estabelecer a atividade para o novo ano.

O horizonte de previsibilidade tem vindo a reduzir-se nos últimos anos e com particular incidência nos últimos dois, mas existem já não tendências, mas factos com os quais temos de contar e que terão impacto nas várias atividades económicas nomeadamente na construção e imobiliário.

Durante o mês de agosto, fui surpreendido, nas mais diversas situações, pela frase que escolhi para título da coluna de opinião deste mês. A escassez de recursos humanos, que abordei como tendência nos últimos meses, é uma limitação com a qual todas as atividades económicas se defrontam em diferentes países e economias. O envelhecimento da população é um dos fatores que irá continuar a pesar nesta situação, mas vivemos hoje um momento diferente e mais agudo.

Uma empresa de segurança faz recrutamento nas praias do algarve usando a avioneta que umas horas antes anunciava a festa de despedida do verão numa conhecida discoteca. Uma empresa de construção utiliza a sua frota automóvel para fazer anúncios de recrutamento. São dois exemplos reais a que se junta o testemunho de um amigo que trabalha numa empresa de projetos de construção civil e partilha a dificuldade de recrutamento de engenheiros civis. A solução encontrada é a de muitas outras empresas e atividades: recrutar à distância noutros países, como o Brasil, mas que tem as suas limitações.

Esta dificuldade crescente é um dos resultados do período que atravessámos: desde a preferência por trabalhos que permitam ser feitas, pelo menos parcialmente, à distância, à ida aos países de origem de muitos imigrantes nos vários períodos de confinamento, e que entretanto não regressaram, criando muitas das tensões que se sentiram este Verão em atividades como a hotelaria ou restauração. São características do mercado de trabalho que tinham sido identificadas no ano passado, mas que se têm vindo a acentuar neste ano, que o The Economist previu ser o ano do trabalhador.

Temos, no entanto, de tomar em consideração outros fatores como a inflação e as taxas de juro para tentar perceber os possíveis impactos nos próximos meses. O recente aumento de taxas por parte do Banco Central Europeu e as declarações sobre o “abrandamento significativo” da economia credibilizam um cenário em que as pressões no mercado de trabalho se poderão alterar. Será um regresso a um maior equilíbrio, mas por uma redução da atividade. São indicadores de uma nova fase do ciclo, assunto a que deveremos regressar numa próxima coluna.