Hugo Santos Ferreira
Hugo Santos Ferreira
Vice-Presidente Executivo da APPII

Recuperação será relativamente rápida

23/07/2020

Pese embora o sector imobiliário vá ter agora diferentes “velocidades”, no setor do investimento imobiliário o que temos verificado como consequência da Pandemia de COVID-19 foi a ocorrência de um efeito suspensivo, temporário e contextual, antecipando os investidores um pouco por todo o mundo que a recuperação será relativamente rápida e que pode vir a acontecer, pese embora a incerteza de algo que é novo e com consequências imprevistas, entre 6-12 meses.

Tudo indica que os “fundamentals”, que permitiram ao nosso mercado consolidar-se como um dos destinos preferenciais dos investidores de todo o mundo, irão manter-se (naturalmente e para já, à exceção do turismo). Isto se o Parlamento português assim o permitir, pensando por exemplo que será necessário arrepiar caminho das propostas de revisão que existem para o programa Golden Visa ou medidas de uma ingerência sem precedentes na Europa na livre iniciativa privada e nos contratos do foro puramente privado, como é o caso da intromissão do Estado português nos contratos de utilização de loja em centro comercial, que está a ser questionada por essa Europa e Mundo fora.

Diga-se porém, em prol da confiança que (ainda) resta em face dos acontecimentos supra por parte dos que apostaram em Portugal e que nele (ainda) acreditam, que a informação que nos tem chegado nos últimos meses, por parte dos players do sector de uma forma geral, é a de que, mesmo com todas estas contingências, a maioria tem conseguido, com muita perseverança, determinação e uso de todas as possíveis e inimagináveis tecnologias, manter a atividade, continuando (ainda) a existir a procura dos investidores internacionais e em especial no caso da promoção imobiliária, fechar vendas diretas online e manter a construção.

Na verdade, acreditamos que a maioria de todos estes profissionais se profissionalizaram muito e por isso souberam precaver as suas tesourarias para imprevistos, tendo as suas “caixas” preparadas – e aqui ficamos orgulhosos de poder dizer que são a maioria das empresas associadas da APPII -, estando aptos a enfrentar os períodos duros que temos vivido, conseguindo continuar manter postos de trabalhos e assegurar o pagamento a fornecedores de uma fileira inteira que deles depende.

Em resumo, há que, serena e de forma cautelosa em prol da manutenção da necessária confiança no nosso mercado, desdramatizar. É normal e esperado para este momento de suspensão que os gráficos do sector demonstrem um certo abrandamento temporário, mas já se vendo que tal é provisório e que a rápida inversão começa já a dar sinais, para uma recuperação, estando o sector do investimento imobiliário preparado para, mais uma vez, estar à altura de ajudar todo o País.