Grândola avança com megaprojeto logístico de 468 milhões de euros

15/07/2026
Grândola avança com megaprojeto logístico de 468 milhões de euros

Promovido pela Qantara Capital, o empreendimento responde à crónica escassez de espaços logísticos de grande escala no país. O projeto combina multimodalidade, sustentabilidade ambiental e integração territorial, apresentando-se como um modelo de desenvolvimento moderno e responsável.

O trunfo da localização

A localização é um dos grandes trunfos do GLPEA. O parque garante ligação direta ao IC1 e à Linha Ferroviária do Sul, situando-se a apenas oito quilómetros da autoestrada A2. Fica a 50 quilómetros do Porto de Sines, a 64 quilómetros de Setúbal e a 100 quilómetros de Lisboa, o que o transforma numa plataforma logística altamente competitiva. No total, o terreno abrange 1,3 milhões de metros quadrados, dos quais 635 mil serão destinados a construção. Inclui ainda um terminal ferroviário de mercadorias com um parque de contentores de 23 mil metros quadrados.

“O GLPEA assume-se como uma plataforma estratégica de escala ibérica que responde de forma direta à escassez de grandes espaços logísticos em Portugal, um fator crítico para a competitividade do país. Ao ligarmos esta infraestrutura multimodal ao Porto de Sines e às principais redes de transporte europeias, estamos a abrir uma porta de entrada fulcral para o comércio internacional e a reforçar o posicionamento de Portugal nas cadeias de abastecimento globais”, afirma em comunicado Hadrien Fraissinet, CEO da Qantara Capital.

Seguir os bons exemplos

O projeto segue o exemplo de outros municípios alentejanos, como Sines e Benavente, que souberam capitalizar as suas vantagens territoriais para impulsionar o crescimento económico. Em Grândola, o impacto previsto é significativo: diversificação da economia local, redução da dependência do turismo e da agricultura, e geração de receitas estáveis para o município. O Plano de Pormenor prevê ainda uma zona de uso misto com comércio local (cafés, restaurantes e lojas), serviços como creches e coworking, além de cedência de terrenos para áreas de lazer, desporto e um edifício para serviços municipais ou sociais, como Proteção Civil e Bombeiros.

David Claudino, Managing Director do GLPEA, destaca o compromisso com a comunidade: “O nosso compromisso prioritário é com o futuro de Grândola e com a criação de oportunidades reais para quem aqui vive. O modelo de desenvolvimento built-to-suit é fundamental neste processo, pois garante que o crescimento do parque é ‘feito à medida’, de forma sustentável e integrada no concelho. Isto traduz-se na fixação da população jovem através de emprego qualificado e estável, e na devolução de valor direto à comunidade”.

O parque funcionará com instalações construídas à medida das necessidades de cada inquilino e contratos de arrendamento de longa duração. Estima-se que venha a acolher cerca de mil utilizadores diários, gerando emprego gradual e prioritariamente local. A mão-de-obra será recrutada num raio de 30 minutos, onde existem cerca de 33 mil profissionais ativos.

Padrões sustentáveis e zonas verdes

No capítulo ambiental, o projeto impõe elevados padrões de sustentabilidade. Todos os edifícios terão certificação de construção sustentável, com forte aposta em energias renováveis através de painéis solares nas coberturas e no parque de estacionamento. Será implementado um sistema de monitorização baseado em dados para otimizar o consumo energético. A gestão da água será feita em parceria com as Águas do Alentejo, incluindo uma ETAR própria para reutilização de águas tratadas.

Para preservar os ecossistemas locais, serão mantidos 410 mil metros quadrados de zonas verdes – cerca de um terço da área total –, incluindo faixas de enquadramento ao IC1, o parque das Armérias e 19 hectares de vegetação natural e sobreiros. Foram ainda adotadas medidas específicas de mitigação e compensação para as espécies protegidas identificadas na zona, maioritariamente povoamentos de pinheiro-bravo.

O processo de licenciamento registou um avanço decisivo com o encerramento da consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental, concluída a 2 de julho. O projeto já contava com aprovação condicional em Conferência Procedimental desde fevereiro de 2025. O promotor prevê iniciar as obras de infraestruturas logo após a emissão da Declaração de Impacte Ambiental e das licenças definitivas, que dependem da aprovação do Plano de Pormenor pelo Município de Grândola.