No seu relatório anual, a consultora imobiliária B. Prime analisa o desempenho de 2025 e identifica um conjunto de tendências que deverão influenciar a evolução dos diferentes segmentos do imobiliário comercial em Portugal ao longo de 2026. Este cenário é enquadrado por uma economia nacional resiliente, pelo crescimento do investimento e por uma procura dinâmica nos principais mercados.
Segundo o Prime Watch 2025, o mercado de escritórios manteve-se dinâmico ao longo do ano transato, prolongando a tendência do aumento das rendas médias e prime, ainda que a um ritmo mais moderado face ao ano anterior. A escassez persistente de espaços modernos e de elevada qualidade manteve-se como um dos principais desafios, sendo que muitos destes projetos são absorvidos ainda em fase de construção, obrigando as empresas que procuram estes espaços a cingirem-se a oportunidades em regime de pré-arrendamento.
Lisboa: procura focada nas zonas centrais
Na capital, a absorção atingiu 204.241 metros quadrados, traduzindo um nível de atividade robusto, embora abaixo do registado em 2024, considerado um ano excecional. Este resultado foi impulsionado sobretudo por mudanças de instalações e reorganização das empresas, reforçando a importância contínua do escritório como espaço estratégico e essencial para trabalho e colaboração, num contexto em que a renda prime alcançou um novo máximo.
A procura concentrou-se essencialmente nas zonas centrais e com melhor acessibilidade, contribuindo para níveis de disponibilidade relativamente controlados e para uma valorização gradual das rendas, tanto prime como médias. O estudo destaca ainda o contributo relevante na ocupação de escritórios em 2025 por parte do setor público, instituições europeias e associações, responsáveis por algumas das maiores operações do ano e por uma maior estabilidade do mercado.
Porto: atratividade mantém-se apesar da escassez
No Porto, a absorção do mercado de escritórios rondou os 44.000 metros quadrados, num contexto fortemente condicionado pela reduzida oferta de espaços disponíveis para ocupação imediata. Ainda assim, a cidade continuou a captar interesse de empresas nacionais e internacionais, com maior incidência nas zonas da Boavista e de Matosinhos. As rendas acompanharam esta tendência, refletindo uma valorização sustentada e uma procura consistente por localizações estratégicas.
2026: procura elevada deverá continuar
Para Carlos Oliveira, Partner e Head of Agency da B. Prime, “o mercado de escritórios manteve uma dinâmica muito positiva em 2025, com uma procura consistente, sobretudo em Lisboa, num contexto de oferta limitada.” Olhando para 2026, acrescenta que é expectável “um mercado em linha com o ano anterior, com uma continuidade de procura elevada por espaços, sobretudo modernos, com maior equilíbrio e estabilização dos valores, num cenário em que a localização e a qualidade do espaço continuam a ser fatores determinantes para as empresas.”
Portugal reforça a sua posição como um mercado competitivo
Além dos escritórios, o estudo aponta 2025 como um ano bastante favorável para o imobiliário comercial em Portugal, com o volume total de investimento a atingir 2.734 milhões de euros, o que representa um crescimento de 16% face ao ano anterior. O retalho destacou-se como principal destino de capital, impulsionado pela recuperação do consumo privado, pelo aumento do turismo e pela resiliência dos centros comerciais, comércio de rua e retail parks.
O segmento industrial e logístico voltou a evidenciar grande solidez, com níveis elevados de absorção e um pipeline robusto para os próximos anos. Projetos de grande dimensão, operações de expansão e o crescimento dos data centers reforçam a relevância estratégica deste segmento no mercado imobiliário nacional.
As perspetivas para 2026 são globalmente positivas. A B. Prime prevê a continuidade de um mercado ativo, embora mais seletivo, com maior foco na qualidade dos ativos, localização e critérios de sustentabilidade. Num contexto económico favorável, Portugal consolida a sua posição como um destino estável, competitivo e atrativo para investidores e ocupantes, com oportunidades diversificadas em vários segmentos do imobiliário comercial.


