Muitos americanos parecem perceber diversos riscos acrescidos no seu país devido às decisões tomadas pela nova administração na Casa Branca. Sejam elas as novas tarifas comerciais anunciadas, as mudanças drásticas na política de imigração, os conflitos internos e as tensões geopolíticas, todas têm contribuído para uma sensação profunda de instabilidade.
Neste contexto tão complicado para tantos, muitas famílias e investidores norte-americanos com elevado poder de aquisição continuam a procurar destinos mais seguros e estáveis para viver e investir: e Portugal, ao reunir essas condições básicas, mantém-se como uma das opções selecionadas, seja graças à sua posição geográfica e estratégica, ao clima geralmente ameno, a uma baixa criminalidade e a um quadro fiscal que ainda se mostra atrativo para eles, mesmo após o términus dos vistos Gold para investimento imobiliário, no final de 2023.
O que dizem os dados
De acordo com os dados mais recentes do idealista/data, e que são referentes ao último trimestre de 2025, os Estados Unidos representaram 12% de toda a procura internacional por casas de luxo à venda em Portugal e tratam-se de imóveis com valor superior a 1 milhão de euros. Este valor coloca os Estados Unidos da América como a segunda nacionalidade mais representativa, ficando apenas atrás do Reino Unido (13%).
Os norte-americanos procuram ativamente imóveis premium, apesar da referida redução de incentivos fiscais. Entre os fatores domésticos que alimentaram este interesse, parecem destacar-se: uma política de imigração bastante mais dura e musculada, que resultou em 605 mil deportações no último ano; a pressão exercida sobre a Reserva Federal para baixar as taxas de juro; a imposição de tarifas elevadas a vários países, incluindo a União Europeia; a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início de 2026; o agravamento das tensões com o Irão; as medidas anunciadas pelo novo presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, que incluem congelamento de rendas e, sobretudo, o aumento declarado de impostos sobre rendimentos mais elevados.
Onde procuram casas de luxo em Portugal?
A cidade de Lisboa lidera claramente, concentrando 46,5% da procura norte-americana por imóveis premium. Seguem-se os distritos de Faro, com 16,1%, e do Porto, com 9,4%. Estes três distritos representam, juntos, 72% de toda a procura oriunda dos Estados Unidos.
Mas existem outros destinos com interesse (mais) moderado e onde se incluem a Madeira, com 6,1%, o distrito de Setúbal com 5,6%, a ilha de São Miguel, nos Açores, com 3,9%, e o distrito de Leiria, com 3,0%. Nos restantes distritos do continente, apenas Braga, Viana do Castelo e Aveiro registam um peso superior a 1%.
Destaque para os Açores
A procura norte-americana tem particular relevância no arquipélago dos Açores, onde os EUA chegam a representar uma fatia muito significativa da procura internacional por imóveis de luxo: a ilha do Faial regista 39,1% do total do arquipélago, seguida pela ilha Terceira, com 36,1% (certamente influenciada pela base aérea norte-americana das Lajes), São Miguel e São Jorge, com mais de 30%, a ilha de Santa Maria com 29,6%, a do Pico com 26,1% e, finalmente, a das Flores com 23,1%.
Procura por distritos
Mas, regressando ao continente, os norte-americanos também têm peso relevante na procura estrangeira em distritos como Leiria (16,8%), o de Lisboa (15,8%), Coimbra (15,5%) e Porto (14,3%). O impacto em zonas como Porto Santo (5,9%), Faro (7%) e Portalegre (7,2%), é bastante menor.
Verifica-se assim, em resumo, que apesar das alterações nas regras de atração de investimento estrangeiro, Portugal continua a reforçar a sua imagem de país estável, seguro e atrativo para investidores e famílias norte-americanas com elevado poder de compra, num momento em que a perceção de risco nos Estados Unidos permanece elevada.


