Patrícia Barão, recém-eleita presidente da APEMIP: uma nova liderança para um setor em transformação

21/01/2026
Patrícia Barão, recém-eleita presidente da APEMIP: uma nova liderança para um setor em transformação
Patrícia Barão, Presidente da Direção Nacional da APEMIP

Foi eleita com 72% dos votos para a presidência da APEMIP. O que é que esta maioria absoluta representa para si e para o futuro da associação?

É um ótimo sinal, que indica que há mais pessoas associadas interessadas em trabalhar e ver crescer esta associação. Trata-se de um resultado democrático, em que os associados escolheram a lista com que se identificaram e eu fico muito feliz por poder representá-los. A APEMIP, enquanto maior associação do setor, tem como missão dar voz às empresas e aos profissionais da mediação imobiliária, representar o setor junto do poder público e ajudar, com dados e propostas concretas, quem nos governa a tomar as melhores decisões.

Vindo de vice-presidente para presidente e sucedendo a Paulo Caiado, quais são os principais legados que quer manter e o que pretende mudar neste início de mandato?

O mandato do Paulo Caiado foi marcado por um trabalho extraordinário de aproximação às entidades reguladoras e institucionais do setor da habitação, um caminho que vamos continuar a seguir. Ele integra esta direção como vice-presidente adjunto e nós vamos dar continuidade ao trabalho que foi iniciado por ele. Ao mesmo tempo, queremos acelerar a modernização e digitalização das plataformas da associação (algo que também foi iniciado no mandato anterior), melhorar o serviço aos associados e ter um papel ativo na discussão da nova legislação da mediação imobiliária, numa fase em que a habitação está no centro do debate público.

Sendo uma das poucas mulheres a liderar uma associação empresarial deste peso em Portugal, o que significa para si esta representação feminina no setor imobiliário?

É uma grande honra e também uma grande responsabilidade. Embora existam cada vez mais as mulheres a assumir posições que eram, outrora, dos homens, continua a haver desigualdades no seu acesso a cargos de liderança. Este momento foi vivido com enorme apoio das minhas colegas, em particular as da WIRE [Women Real State], a associação que fundei e do qual sou diretora. Sinto-o como uma vitória coletiva. Mais do que o género, importa valorizar a competência, as capacidades, o trabalho, a educação, mas é evidente que a diversidade fortalece as organizações.

O setor da mediação imobiliária atravessa um momento desafiante. Quais são os maiores desafios da APEMIP para os próximos três anos?

A APEMIP, enquanto associação das empresas e dos profissionais da mediação, está diretamente ligada ao principal desafio do país: a crise de acesso à habitação. Hoje, quem ainda não tem casa, seja para comprar ou para arrendar, enfrenta grandes dificuldades, num contexto em que os rendimentos médios das famílias não têm acompanhado a subida dos preços da habitação. A falta de oferta, tanto na compra como no arrendamento, é outro problema que impede famílias e jovens de acederem a uma casa. A construção de novos projetos demora dois a três anos e, na última década, o stock habitacional pouco cresceu, o que obriga a criar rapidamente condições para trazer mais casas para o mercado. A resposta à crise da habitação exige uma abordagem que passe pela nova construção, pela mobilidade, pela industrialização do setor e por uma reflexão sobre os baixos salários em Portugal. As associações têm um papel essencial neste processo, apoiando quem governa com dados, informação e propostas concretas, num verdadeiro espírito de missão.

Que tendências prevê para 2026-2028 e como pode a APEMIP ajudar os profissionais a adaptarem-se?

A procura continua dinâmica, como mostram os dados do INE, e Portugal mantém-se muito atrativo para investidores estrangeiros, pela segurança, qualidade de vida e infraestruturas. O grande desafio é garantir oferta para os portugueses. A APEMIP pode apoiar os profissionais com informação, formação e ferramentas que os ajudem a responder a este contexto exigente.

Entrevista1.jpg

A formação e certificação dos mediadores são prioridades da APEMIP. Que mudanças defende nesta área?

A nossa profissão tem uma importância muito grande, porque comprar ou vendar uma casa acaba por ser uma decisão estruturante na vida de uma pessoa. Portanto, é imperativo que existam garantias que ao recorrer-se a um profissional, este seja certificado. Por isso, defendemos a obrigatoriedade de formação mínima e contínua para o exercício da profissão, à semelhança de outras áreas. A mediação imobiliária exige conhecimento técnico, jurídico e de mercado. A certificação é essencial para dignificar a profissão, garantir transparência e proteger os consumidores. A responsabilidade pelos preços dos imóveis não é da mediação, mas um profissional qualificado consegue aconselhar melhor compradores e vendedores.

Como pode a APEMIP ajudar as empresas a acompanhar a revolução tecnológica?

Queremos que a APEMIP seja um motor de acesso à tecnologia, especialmente para pequenas e médias agências. A inteligência artificial e as plataformas digitais são ferramentas de apoio, mas a componente humana continuará a ser central na mediação.

As novas plataformas e consultores independentes são uma ameaça ou uma oportunidade?

São uma oportunidade, desde que atuem com profissionalismo, ética e transparência. O mercado tem espaço para diferentes modelos, desde que cumpram regras claras e acrescentem valor.

Que conselho deixa aos jovens que querem entrar na mediação imobiliária?

É um setor exigente, mas cheio de oportunidades. Para quem se dedica, estuda e se envolve, o imobiliário oferece uma carreira sólida e estimulante. A entrada de jovens talentos é essencial para renovar o setor, para introduzir novas ideias e para acrescentar valor à profissão.

Uma mensagem rápida para os mediadores imobiliários neste início de mandato?

Participem. A APEMIP quer ser a voz de todos na mediação imobiliária — pequenos, médios e grandes. Todos têm contributos importantes e devem sentir que fazem parte ativa da profissão.

Fora do imobiliário, o que a ajuda a desligar?

A meditação e o ioga. São o meu escape e essenciais para recentrar, ganhar energia e manter o equilíbrio.