Em Portugal: 20 municípios têm rendas médias abaixo dos 1.000 euros

25/03/2026
Em Portugal: 20 municípios têm rendas médias abaixo dos 1.000 euros

As rendas elevadas praticadas em cidades como Lisboa e Porto têm continuado a empurrar a procura de habitação para arrendar, como temos acompanhado, para os municípios periféricos, o que acaba por gerar um aumento natural generalizado dos preços também nessas zonas, por efeito de contágio. No entanto, há ainda diversos concelhos em que a elevada procura coexiste com rendas por enquanto relativamente acessíveis.

De acordo com os dados do estudo do idealista/data relativos ao 4.º trimestre de 2025, em 20 dos 50 municípios mais procurados para arrendar casa em Portugal é possível encontrar rendas medianas inferiores a 1.000 euros por mês. Curiosidade, ou nem tanto assim: nenhum destes concelhos se situa na Grande Lisboa nem no Algarve, e apenas dois pertencem ao distrito do Porto.

Deslocação da procura

Uma das tendências mais evidentes no mercado residencial português é a deslocação da procura de arrendamento para os municípios vizinhos das grandes cidades, na tentativa de encontrar custos habitacionais mais compatíveis com os salários e o custo de vida, sem abrir mão da proximidade a uma metrópole, onde há mais emprego e melhores serviços de educação, saúde e lazer.

Esta realidade é particularmente visível em Lisboa: os municípios periféricos da capital dominam os primeiros lugares do ranking dos 50 concelhos mais procurados para arrendar casa no final de 2025: Odivelas lidera a lista, seguida por Amadora, Barreiro, Sintra e Loures — mas o próprio concelho de Lisboa surge apenas na 48.ª posição.

Uma situação semelhante observa-se no Porto. Neste top 50 da procura apenas aparecem seis municípios periféricos da Invicta: Valongo, Paredes, Gondomar, Amarante, Maia e Vila Nova de Gaia. O concelho do Porto fica fora deste ranking, ocupando a 71.ª posição a nível nacional.

O efeito de contágio

Verifica-se também um claro efeito de contágio no aumento das rendas, que se estende, quase concentricamente, dos centros urbanos para os concelhos limítrofes. Enquanto uma renda média em Lisboa atingiu os 1.722 euros mensais (um dos valores mais altos do país), todos os 16 concelhos periféricos com elevada procura à volta da capital apresentam rendas superiores a 1.000 euros, variando entre os 1.694 euros em Oeiras e os 1.060 euros na Moita (distrito de Setúbal).

No Porto, o fenómeno parece ainda mais acentuado: as rendas medianas em Vila Nova de Gaia (1.329 euros) já superam o valor mediano no próprio concelho do Porto (1.241 euros), registado no último trimestre de 2025. Nos municípios de Paredes, Maia e Gondomar, as rendas também ultrapassam os 1.000 euros mensais.

Já no Algarve, o elevado custo de arrendamento em Faro (1.710 euros/mês) está a influenciar os preços em vários concelhos da região, como Albufeira, Olhão, Portimão e Silves, todos com valores acima dos 1.200 euros mensais.

Onde a procura encontra rendas abaixo dos 1.000 euros

Entre os 50 municípios mais procurados para arrendar casa, destacam-se 20 nos quais as rendas medianas se mantêm abaixo dos 1.000 euros mensais. Estes concelhos apresentam uma dispersão geográfica significativa e estão todos fora da Grande Lisboa e do Algarve.

O concelho com o valor mais baixo é a Covilhã (no distrito de Castelo Branco), com rendas medianas de apenas 568 euros mensais. Apesar disso, regista uma procura expressiva (23 contactos por anúncio), ocupando a 35.ª posição neste ranking.

Abaixo fica a lista dos 20 municípios com elevada procura e rendas medianas abaixo dos 1.000 euros:

  • Covilhã (Castelo Branco): 568 euros (35.ª posição);
  • Bragança (Bragança): 619 euros (47.ª posição);
  • Castelo Branco (Castelo Branco): 620 euros (33.ª posição);
  • Pombal (Leiria): 682 euros (40.ª posição);
  • Abrantes (Santarém): 701 euros (34.ª posição)
  • Torres Novas (Santarém): 729 euros (13.ª posição);
  • Viseu (Viseu): 762 euros (42.ª posição);
  • Beja (Beja): 769 euros (28.ª posição);
  • Oliveira de Azeméis (Aveiro): 781 euros (14.ª posição);
  • Marinha Grande (Leiria: 802 euros (18.ª posição);
  • Águeda (Aveiro): 808 euros(50.ª posição);
  • Ourém (Santarém): 813 euros (37.ª posição);
  • Amarante (Porto): 836 euros (23.ª posição);
  • Guimarães (Braga): 840 euros (20.ª posição);
  • Santa Maria da Feira (Aveiro): 883 euros (30.ª posição);
  • Entroncamento (Santarém): 917 euros (39.ª posição);
  • Leiria (Leiria): 920 euros (17.ª posição);
  • Santarém (Santarém): 933 euros (12.ª posição);
  • Évora (Évora): 988 euros (22.ª posição);
  • Valongo (Porto): 993 euros (7.ª posição).

Os municípios mais caros

  • No extremo oposto estão os municípios mais caros entre os 50 mais procurados. O Funchal (na ilha da Madeira) lidera com rendas medianas de 1.956 euros mensais, seguido por Lisboa (1.772 euros), Faro (1.710 euros) e Oeiras (1.694 euros). Estes valores mais elevados ajudam a explicar a razão por que estes concelhos surgem todos abaixo da 30.ª posição no ranking da procura.