A oferta de quartos para arrendar em Portugal registou um aumento expressivo de 79% no 4.º trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, segundo a análise do idealista. Em sentido oposto, o número de interessados por quarto caiu 44%, evidenciando um forte desfasamento entre oferta e procura neste segmento do mercado habitacional.
Apesar deste contexto, o preço mediano nacional dos quartos situou-se nos 480 euros mensais, registando ainda uma ligeira subida anual de 1%, o que revela uma resistência dos preços, sobretudo nos mercados mais pressionados.
Segundo Ruben Marques, porta-voz do idealista “os dados mostram que o atual ajustamento do mercado de quartos resulta sobretudo de um forte aumento da oferta e não de uma quebra estrutural da procura. Com mais quartos disponíveis, a pressão sobre cada anúncio diminui e o mercado torna-se mais equilibrado. Ainda assim, os preços mantêm-se relativamente estáveis, sobretudo nas grandes cidades, o que confirma que o arrendamento de quartos continua a ser uma solução procurada por estudantes, jovens profissionais e pessoas em mobilidade.”
Procura por quartos
A procura por quartos para arrendar caiu de forma generalizada na maioria das capitais de distrito e ilhas analisadas. As maiores quebras no número de interessados por anúncio registaram-se em Portalegre (-69%), Guarda (-56%), Coimbra (-49%), Porto (-44%) e Lisboa (-40%).
Em contraciclo, algumas cidades registaram aumento da procura, nomeadamente Évora (47%), Vila Real (34%), Funchal (27%) e Setúbal (20%), evidenciando dinâmicas locais distintas.
Oferta de quartos
Em sentido oposto à procura, a oferta de quartos aumentou de forma expressiva em grande parte das capitais analisadas. Os maiores crescimentos observaram-se em Coimbra e Bragança (ambas com 133%), seguidas do Porto (93%), Portalegre (76%), Ponta Delgada (62%), Guarda (60%) e Viana do Castelo (59%).
Este crescimento da oferta reflete uma maior entrada de quartos no mercado, num contexto em que proprietários optam por soluções de arrendamento mais flexíveis.
Evolução dos preços
Apesar da forte quebra da procura e do aumento significativo da oferta, os preços dos quartos mantiveram-se relativamente estáveis na maioria das capitais de distrito e ilhas.
As maiores subidas anuais de preços registaram-se no Funchal (17%), Coimbra (10%), Viana do Castelo (8%), Setúbal (7%) e Castelo Branco (7%). Em sentido contrário, observaram-se quedas de preços na Guarda (-7%), em Lisboa (-5%) e em Portalegre (-4%).
Lisboa destaca-se como o mercado mais caro do país, com um preço mediano de 570 euros por mês, seguida do Funchal (525 euros/mês) e do Porto (450 euros/mês). Já os mercados mais económicos encontram-se na Guarda (200 euros/mês), Bragança (220 euros/mês) e Vila Real (240 euros/mês).
Os dados em síntese
- O preço mediano dos quartos fixa-se nos 480 euros/mês, apesar do forte aumento da oferta.
- Mais quartos disponíveis reduzem a concorrência por anúncio, sobretudo em Lisboa, Porto e Coimbra.
- Lisboa continua a ser a capital mais cara para arrendar um quarto (570 euros/mês).
- O Funchal destaca-se como o único grande mercado onde procura, oferta e preços continuam a subir.
- A diferença de preços entre a cidade mais cara e a mais barata é de quase três vezes.
Metodologia
Para a realização desta análise foram consideradas apenas as cidades com uma base de anúncios estável no idealista ao longo do período analisado e com um número mínimo de 30 anúncios. A análise baseia-se nos dados do idealista relativos a quartos para arrendar, comparando o 4.º trimestre de 2025 com o 4.º trimestre de 2024. São analisadas a evolução do número de interessados por anúncio, a variação da oferta disponível e a evolução dos preços medianos anunciados.


