Comprar casa para arrendar em Portugal rendeu menos no 2.º trimestre de 2026

15/07/2026
Comprar casa para arrendar em Portugal rendeu menos no 2.º trimestre de 2026

Esse valor corresponde ainda a uma redução de 1 ponto percentual em comparação com o segundo trimestre de 2024, altura em que atingiu os 7,2%. Os dados são do idealista e refletem o desempenho do setor imobiliário residencial num contexto de ajustamento gradual do mercado após anos de forte dinâmica.

Tendência de compressão

A análise revela uma tendência de compressão das yields brutas de arrendamento, influenciada por vários fatores. Por um lado, os preços de venda das habitações têm-se mantido resilientes em muitas regiões, sustentados pela procura de investidores e pela escassez de oferta em determinadas zonas. Por outro, os valores de renda solicitados pelos proprietários não têm acompanhado o mesmo ritmo de crescimento, pressionados por fatores como a regulação do arrendamento, a inflação e a maior oferta de novos imóveis no mercado de longa duração.

Por distritos e regiões autónomas

Ao analisar o panorama por capitais de distrito e regiões autónomas, destacam-se claramente as oportunidades mais atrativas no interior do país. Castelo Branco e Vila Real lideram o ranking nacional, ambas com uma rentabilidade bruta de 8,1%. Estes valores destacam-se como os mais elevados do país e representam uma opção interessante para investidores que procuram retornos mais robustos, longe das pressões inflacionistas dos grandes centros urbanos.

Logo atrás surge Bragança, com 7,6%, seguida de Santarém (6,6%), Coimbra (6,4%), Leiria (6%), Évora (5,7%), Ponta Delgada (5,6%), Setúbal (5,4%) e Braga (5,3%). Estas localidades combinam preços de aquisição ainda acessíveis com rendas que permitem obter um retorno sólido, tornando-as especialmente apelativas para perfis de investimento mais conservadores ou para quem pretende diversificar a carteira imobiliária para além das grandes metrópoles.

Com rentabilidades na casa dos 5% aparecem ainda o Funchal (5,2%), Aveiro e Viseu (ambas com 5%). No patamar dos 4,8% posicionam-se Faro e o Porto, duas cidades com dinâmicas turísticas e económicas muito distintas, mas que partilham uma maior maturidade do mercado e, consequentemente, yields mais comprimidas.

Rentabilidades mais baixas

No extremo oposto da tabela encontra-se Lisboa, com a rentabilidade habitacional mais baixa do país: apenas 4,3%. A capital continua a ser um dos mercados mais caros tanto ao nível de compra como de arrendamento, o que resulta numa relação preço/renda menos favorável para os investidores. Apesar da elevada liquidez e da forte procura internacional, o retorno bruto tem vindo a reduzir-se progressivamente, obrigando os investidores a serem mais seletivos na escolha dos imóveis e a apostarem em estratégias de valorização a médio e longo prazo.

Os segmentos não residenciais

A análise do idealista não se limitou ao segmento habitacional. Outros produtos imobiliários apresentam, em média, rentabilidades superiores. Os escritórios registam 7,8%, as lojas atingem os 8% – o valor mais elevado entre as tipologias analisadas – e as garagens oferecem 5,1%. Estes números demonstram que, dependendo do perfil de risco e do objetivo do investidor, os segmentos não residenciais podem constituir alternativas mais atrativas no atual contexto de mercado.

Trata-se de uma métrica indicativa e de carácter bruto, que serve como ponto de partida para uma análise mais aprofundada cujos dados são fundamentais para compreender o estado atual do mercado imobiliário português e constituem uma ferramenta valiosa para investidores, promotores e famílias que pretendem tomar decisões informadas. Num cenário de taxas de juro ainda elevadas e de maior exigência por parte das instituições financeiras no acesso ao crédito, a rentabilidade do arrendamento ganha ainda mais relevância como critério de investimento.