Bernardo Teixeira, da Garvetur: “O Algarve continua a ser um dos mercados imobiliários mais resilientes a nível nacional”

09/09/2026
Bernardo Teixeira, da Garvetur: “O Algarve continua a ser um dos mercados imobiliários mais resilientes a nível nacional”

Desde 1983, a Garvetur acompanhou vários ciclos do imobiliário nacional. O Algarve vive hoje um novo ciclo de crescimento ou o mercado começa a dar sinais de sobreaquecimento?

Considero que o atual ciclo do imobiliário nacional se caracteriza por uma segmentação da procura, porém a tendência global apresenta sinais de estabilização dos preços. Importa no entanto haver uma maior atenção à escassez estrutural da oferta, no sentido de a equilibrar face às necessidades reais das famílias.

Embora os analistas apresentem interpretações diversas, todos afastam o cenário de uma bolha e os números apontam para um arrefecimento gradual.

A região é muito procurada por compradores nacionais e internacionais, mas está cada vez menos acessível para quem lá vive. Como se resolve este paradoxo?

As grandes cidades e o Algarve, em função do forte poder de compra de investidores estrangeiros, fundos de investimento e residentes não habituais, são um caso paradigmático, que indica a necessidade de medidas que permitam aos promotores aumentar a oferta imobiliária destinada às famílias.

Na minha perspetiva, só será possível aumentar o ritmo de construção intervindo para desburocratizar o licenciamento camarário e facilitar a contratação de mão de obra, a par de apoios que permitam às empresas enfrentar o aumento dos custos de construção, para se construir casas ao ritmo de que o país necessita.

Quem está hoje a comprar casa no Algarve: o perfil do comprador mudou? E que nacionalidades estão a ganhar peso?

De facto, houve uma transformação no perfil dos compradores, porém a Garvetur soube antecipar essa alteração, que nos indica haver interesses diferenciados consoante as regiões do país, ao promover o crescimento sustentado das suas delegações nacionais.

Assim, o mapa dos nossos clientes indica uma maior diversificação das nacionalidades dos investidores imobiliários em Portugal, apresentando-se o país como um destino que continua a consolidar-se como um dos mais atrativos da Europa.

No Algarve, o investimento estrangeiro assenta em compradores especialmente do Reino Unido e da Irlanda, mas também da Alemanha, Bélgica e Países Baixos.

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Springs at the Els Club, em Vilamoura

O Algarve esteve muito associado à segunda habitação e ao investimento turístico. Há, atualmente, uma mudança na utilização dos imóveis para residência permanente?

O conceito de imóveis para férias evoluiu para o de habitação permanente ou semipermanente devido tanto à flexibilização laboral, como à busca de uma reforma em que a qualidade de vida é um fator decisivo.

Até onde podem continuar a subir os preços na região sem afastar demasiado a procura?

Num setor dinâmico como o imobiliário, que depende quer de fatores objetivos como a oferta de ativos, como de outras apreciações mais subjetivas, continua a ser de maior importância a localização, a qualidade dos equipamentos, dado que região oferece um valor próprio já consolidado e alcança perfis diferentes de compradores, seja pela qualidade de vida, pela envolvente natural, pelo património, pela cultura local e excelente gastronomia. Acresce o potencial de valorização, pelo que é esta diversidade que torna o mercado do Algarve um dos mais resilientes a nível nacional, sem perder o interesse dos investidores.

Os investidores continuam a ver a região como uma aposta segura ou estão mais cautelosos com os preços de entrada dos ativos?

Os nossos dados indicam que a procura internacional está cada vez mais diversificada e que Portugal continua a consolidar-se como um dos destinos europeus residenciais e de investimento mais competitivos. Não se manifesta retração no investimento, mas sim uma maior exigência por parte dos clientes investidores.

A falta de oferta continua a ser apontada como um dos principais problemas do mercado português. O que está hoje a travar a construção de nova habitação no Algarve: terrenos, licenciamento, custos ou falta de viabilidade dos projetos?

A falta de viabilidade dos projetos não é, certamente, um dos principais problemas na região algarvia. Os constrangimentos existentes no Algarve são comuns a outras zonas do país. Reitero que só é possível alterar a falta estrutural da oferta intervindo para desburocratizar, agilizar a contratação de mão-de-obra, bem como uma política fiscal facilitadora para enfrentar o aumento dos custos de construção.

Há quem diga que o Algarve corre o risco de se tornar um lugar onde é mais fácil investir e passar férias do que viver. Como se evita esse cenário?

No sentido de se construir casas ao ritmo de que o país necessita e não apenas no Algarve, impõem-se novas políticas de habitação, maior cooperação entre o poder central e o autárquico e uma forte ligação entre o setor público e o privado.

A magnitude do problema não se compadece com mais adiamentos. Dando como exemplo o Algarve, diria que não é possível o desenvolvimento do turismo se não houver habitação para a mão de obra qualificada que a atividade exige.

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The Shipyard, em Faro

A Garvetur não é apenas uma mediadora imobiliária: apresenta-se como uma empresa capaz de acompanhar todo o ciclo de investimento. Como está a evoluir o negócio e que serviços têm hoje maior procura?

O principal interesse dos nossos clientes reside nas sinergias e no know-how do Grupo Enolagest, holding da qual a Garvetur é a empresa âncora, com 42 empresas participadas. As palavras-chave da nossa atividade são seriedade, compromisso e profissionalismo.

A nossa missão é garantir, através de uma oferta global de serviços, a satisfação de investidores, proprietários e clientes, pelo que apostamos no trabalho em equipa e procuramos melhorar continuamente a eficácia da organização e a inovação dos nossos serviços.

Quais são as principais prioridades da Garvetur para os próximos cinco anos?

O Grupo Enolagest oferece um modelo inédito de serviços em Portugal ao proporcionar sinergias entre as 42 empresas associadas na holding, que permite a satisfação dos clientes e o reconhecimento profissional de parceiros e fornecedores.

Atualmente a Garvetur, sedeada em Vilamoura, tem delegações em Lisboa, Porto, Sta. Maria da Feira, Leiria, Guimarães e Fundão e na maioria das cidades algarvias.

A nossa prioridade é manter um crescimento sustentado e antecipar os serviços exigidos pelos nossos clientes, consolidando o nosso papel de referência enquanto grupo Enolagest, a nível nacional e internacional.