Casas com CE superiores são 21% das vendas residenciais em Lisboa

08/10/2020
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A maior aposta dos compradores nesta classificação já foi notada ao longo de 2019, ano em que as casas A+ a B- também agregaram 21% das transações na cidade, fortalecendo a quota dos anos anteriores. Entre 2015 e 2018, a habitação com esta CE representou entre 14% a 18% das vendas anuais.

...E Santo António lidera a procura

As freguesias Santo António (que inclui o eixo da Avenida da Liberdade), Santa Maria Maior, Avenidas Novas, Arroios e Estrela recebem a maioria dos fogos vendidos com esta classificação, agregando, entre si, 76% das unidades transacionadas na cidade. O grande destaque vai para Santo António que concentra 26% dos fogos A+ a B- vendidos em Lisboa nos últimos 12 meses, sendo uma freguesia de forte aposta na habitação com maior eficiência energética. De tal forma que, no seio desta freguesia, mais de metade das casas transacionadas no período em análise (51%) possuem a cerificação energética máxima. Esta realidade é apenas aproximada por Santa Maria Maior, parte do Centro Histórico, onde entre as vendas residenciais realizadas até agosto, 43% dizem respeito a unidades nas classes A+ a B-.

Nas Avenidas Novas, essa proporção é de 31% e na Estrela é de 25%, ficando todas as restantes freguesias abaixo da média da cidade. De realçar ainda que em Alcântara, Belém, Ajuda, Arroios, Misericórdia e Campolide a habitação nas classes A+ a B- concentrou entre 15% a 20% das vendas residenciais nos últimos 12 meses.

Classes superiores com prémio de 44%

No que se refere ao preço médio de venda da habitação em Lisboa, pode verificar-se que atingiu os 4.194€/m2 em agosto (acumulado de 12 meses) no conjunto do território analisado pelo SIR-Reabilitação Urbana. Desagregando por classe energética, pode verificar-se que apenas as habitações com certificações superiores (A+ a B-) foram transacionadas por um valor acima da média total do mercado, atingindo um preço de venda em agosto de 6.057€/m2. Na prática, isso significa que tais habitações apresentam um prémio de 44% face ao que constitui a média de mercado, o qual atualmente se traduz num valor de mais 1.863€/m2. Olhando para os anos anteriores, este prémio tem-se mantido no mesmo patamar, posicionando-se quase sempre acima dos 40%.

Campolide tem o prémio mais elevado

Em termos de freguesias, as habitações de CE superiores mais caras de Lisboa situam-se em Santa Maria Maior, com um preço de venda de 7.882€/m2, seguido pelos 7.190€/m2 registados em Santo António. Destaca-se ainda a Misericórdia, onde este tipo de habitação foi transacionado por 6.243€/m2. Nestas três freguesias, o prémio face ao que constitui a média de mercado é, contudo, bastante menor do que o apurado para o total da cidade, atingindo os 28% em Santa Maria Maior, os 20% em Santo António e os 17% na Misericórdia. Não é alheio o facto de estes serem os mercados mais valorizados da cidade, onde naturalmente as certificações energéticas superiores surgem cada vez mais como uma exigência de base ao invés de se afirmarem como um fator de diferenciação, mais provável de se verificar nas freguesias com preços mais baixos. De facto, os prémios mais elevados para as casas certificadas com as categorias A+/B- são observados em freguesias onde o valor das vendas não atinge a média da cidade, com preços no patamar dos 3.000€/m2. Campolide, uma freguesia com forte vocação residencial, apresenta o maior prémio neste âmbito, com as habitações de classe A+ a B- a serem transacionadas por um valor 65% acima da média do respetivo mercado. Aqui, as transações residenciais atingiram um valor médio de 3.417€/m2 em agosto, comparando com os 5.649€/m2 a que foram transacionados apenas os fogos com aquelas classes energéticas. Merecem também destaque São Vicente, que com a Misericórdia e Santa Maria Maior completa a tríade de freguesias do Centro Histórico, e Arroios, que tem vindo a afirmar-se como uma zona de expansão da procura residencial nos últimos anos. Em São Vicente, as casas A+ a B- vendidas nos últimos 12 meses exibiram um preço de 5.409€/m2 em agosto, um valor que fica 45% acima dos 3.729 €/m2 que constituem a média das vendas na freguesia. Em Arroios o cenário é semelhante, com o preço médio de venda de 3.890€/m2 a comparar com os 5.452€/m2 das vendas nos fogos A+ a B-, ou seja, com este último segmento a apresentar um prémio de 45%.

41% dos fogos em pipeline com classificação energética A

Nos primeiros sete meses de 2020 entraram em processo de licenciamento cerca de 27.000 novos fogos em Portugal Continental, de acordo com os dados do Pipeline Imobiliário, apurados a partir dos pré-certificados energéticos emitidos pela ADENE. Deste pipeline, 41% está pré-certificado nas categorias “A” e “A+”. Com a categoria “A” contabilizam-se 9.400 novos fogos em pipeline, equivalente a 35% da carteira nacional, enquanto as unidades com a classificação energética máxima, de “A+”, agrupa outros 1.591 fogos. Face a igual período do ano passado, apenas a categoria “A” perdeu expressão no pipeline, comparando a atual quota de 35% com a de 40% registada nos primeiros sete meses de 2019. A categoria máxima manteve a sua quota de 6% do pipeline residencial do país.

A ligeira perda de representatividade dos fogos pré-certificados com “A” favoreceu, sobretudo, a categoria B, que passou de uma quota de 37% do pipeline em 2019 para 41% em 2020, considerando um acumulado de sete meses. Também a classe “B-“ conquistou algum terreno, com a quota a evoluir de 14% para 16%. No total, em 2020 entraram em licenciamento no país 11.184 fogos pré-certificados em “B” e outros 4.204 classificados de “B-“.

A construção nova é o tipo de obra de maior aposta nas classes energéticas superiores, estando as pré-certificações “A” e “A+” presentes em 46% dos fogos em carteira no país já este ano. Nos projetos de reabilitação, estas duas classes energéticas agregam, em conjunto, 18% dos fogos em pipeline. Assim, em 2020 contabilizam-se 8.594 fogos de construção em licenciamento com pré-certificado energético “A”, a que se juntam outros 1.493 com classe “A+”, apresentando quotas de 7% e 39% do total de fogos gerados neste tipo de obra, respetivamente. Na reabilitação, a classe “A” está presente em 806 fogos (16% do total) e a “A+” em apenas 98 fogos (apenas 2%).

Em ambos os tipos de obra, a maioria dos fogos possui pré-certificação “B”, uma classe que está presente em 42% da carteira da construção nova (9.191 fogos) e em 40% do pipeline de reabilitação (1.993 fogos). Na categoria “B-“ encaixam-se 12% dos fogos de construção nova (2.707) e 30% dos de reabilitação (1.497).

Porto, Braga e Lisboa lideram em "A+"

Porto e Braga são os concelhos com uma maior aposta na certificação energética máxima, agregando, cada um, 7% dos fogos pré-certificados em “A+” no país em 2020. Segue-se Lisboa, com uma quota de 6%, Guimarães com 5% e Cascais com 4%, evidenciando-se ainda Almada e Lagos, com pesos de 3%.

No que respeita a categoria “A”, a liderança vai para Lisboa, onde se situam 9% dos fogos com esta classificação submetidos a licenciamento em Portugal no período de janeiro a julho de 2020. Porto e Cascais agregam, cada um, 4% dos fogos em pipeline com pré-certificação “A”, enquanto Vila Nova de Gaia e Leiria apresentam quotas de 3% no pipeline residencial categorizado com pré-certificação “A”.