Compradores do mercado residencial querem retomar procura

29/06/2020
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Esta é uma das principais tendências identificadas num inquérito recente levado a cabo pela Savills, com base numa investigação interna de 50 especialistas em toda a rede global da consultora, para medir o pulso ao mercado residencial de todo o mundo.

O mercado residencial sofreu as consequências da pandemia da Covid-19, nomeadamente uma quebra do número de transações, pois as medidas de confinamento impediram as vendas em muitos países. Mas 90% dos entrevistados afirmaram que até 30% dos compradores deixaram de procurar ativos.

Relativamente à proporção de compradores que ainda procuram e que irão viajar assim que o confinamento for suspenso, em comparação com aqueles que suspenderam os seus planos por enquanto, houve uma distribuição bastante uniforme para ambos.

O inquérito mostra também que grande parte dos compradores espera conseguir preços mais baixos do que antes do confinamento, especialmente no caso de Espanha. A tendência é menos visível em destinos de luxo.

Por outro lado, apenas 6% dos vendedores estão a considerar, ou já removeram, as suas propriedades do mercado. A maioria planeia baixar os preços, ou mantem-nos.

Sophie Chick, diretora da Savills World Research, comenta em comunicado que "de todos os entrevistados, 47% avançam que os vendedores mantenham as suas propriedades no mercado aos preços atuais, embora 48% antecipem algum nível de redução de preços. No geral, poucos vendedores estão a sair do mercado e a maioria dos compradores ainda procura propriedades, criando muitas oportunidades de negócio após o fim do confinamento".

Nota ainda para o facto de que 30% dos mercados apontam a necessidade de alterações legais para facilitar os negócios. Por exemplo, a introdução do AAE (Ato Autêntico Eletrónico) em França, aumentou a flexibilidade dos notários, que tem agora o mesmo poder probatório de um documento em papel mas através de documentos eletrónicos. Também assistimos a alguns compradores a recorrerem a uma procuração local, para manter transações em andamento.

Quebra de vendas não desce preços do imobiliário

Entretanto, no passado mês de maio, o setor imobiliário registou em Portugal uma quebra no volume de vendas, mas os preços ainda não desceram. É o que mostra um inquérito feito pela APEMIP junto e cerca de 4.000 empresas do setor da mediação imobiliária, segundo o qual 81,1% das empresas sofreram uma quebra no volume de negócios face a igual período do ano passado.

No mesmo mês, a procura caiu para 64,5% das empresas, mas 83,9% atestam que os preços dos imóveis se mantiveram. 15,5% admitem quebras nos valores.

Luís Lima, presidente da APEMIP, acredita que "não há nenhuma justificação para que haja uma quebra de preços, a não ser pela correção de valores que estavam especulados. Se na última crise havia um excesso de oferta que motivava uma descida dos preços, desta vez verifica-se ausência de stock, sobretudo nos segmentos médio e médio baixo, onde continua a haver falta de casas que suprimam as necessidades da procura".

De notar ainda que 72,1% das imobiliárias voltaram a abrir ao público logo na primeira fase de desconfinamento, a 4 de maio, não apontando grandes dificuldades no cumprimento das novas regras de higiene e segurança. Mas muitas ainda não operam na totalidade.

Luís Lima avança que "no terreno ainda se nota que o mercado está a funcionar a meio-gás. Apesar de a grande maioria das mediadoras ter reaberto ao público, não tem a totalidade dos seus funcionários a laborar, até porque o volume de procura ainda não o justifica. Ainda está a haver uma adaptação à nova realidade. Mesmo assim, sente-se já algum otimismo e consciência para os desafios que o mercado trará".