Governo apresenta projeto Parque Cidades do Tejo com 25.000 novas habitações

02/04/2025
Governo apresenta projeto Parque Cidades do Tejo com 25.000 novas habitações
Pixabay

O Governo apresentou na sexta-feira o projeto Parque Cidades do Tejo, uma iniciativa que tem como objetivo transformar o arco ribeirinho do Tejo numa grande metrópole, unindo as duas margens, “em que o rio funciona como elo de ligação dos territórios em vez de os separar”.

O projeto foi apresentado aos presidentes dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML) e também ao presidente da Câmara de Benavente, concelho que acolhe o novo aeroporto de Lisboa. A reunião em causa decorreu na sede da AML, e foi presidida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e contou com a presença do ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, do ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz. 

Este megaprojeto urbanístico, agora relançado, abrange uma área de 4.500 hectares, o equivalente a 55 vezes a Parque Expo, prevendo a construção de mais de 25.000 casas, além da criação de 200.000 postos de trabalho. “são duas margens centradas no Tejo e quatro projetos de âmbito nacional que se traduzirão numa operação única, de coordenação centralizada, em cooperação com o Estado Central e os Municípios diretamente envolvidos”.

Este projeto assenta, assim, em quatro eixos estruturantes: Arco Ribeirinho Sul, Ocean Campus, Aeroporto Humberto Delgado e Cidade Aeroportuária. “Nos quatro eixos requalificam-se e regeneram-se territórios, fomenta-se cidades em rede e promove-se a economia circular, a habitação, o emprego e o aumento dos transportes públicos através do reforço das infraestruturas. Dá-se uso, vida e futuro a terrenos públicos nas margens do Tejo que há muitos anos estão totalmente desaproveitados”, lê-se em comunicado.

O Parque Cidades do Tejo integra também espaços habitacionais, de lazer, de investigação e de cultura, como a Ópera Tejo, um Centro de Congressos Internacional e a Cidade Aeroportuária. 

Ao nível de infraestruturas, estão previstas duas novas travessias do Tejo: a Terceira Travessia do Tejo (TTT) e o túnel Algés-Trafaria; um aeroporto único de cariz expansível, com capacidade para mais de 100 milhões de passageiros e investimento na ferrovia de alta velocidade. 

O projeto contempla 1.100.000 metros quadrados destinados a equipamentos e 2.500.000 para atividades económicas, sem contar com o espaço da Cidade Aeroportuária. Segundo o Governo, “pretende-se aumentar a quota modal de transporte público de 24% para 35%, e para isso, será importante o reforço do investimento de mais 3,8 mil milhões de euros - sendo que o apoio ao transporte público e à política tarifária se prevê de 328 milhões de euros/ano”. 

Este projeto terá uma dotação inicial de 26,5 milhões de euros e a sua gestão “assenta num modelo paritário entre o Estado central e os municípios”, refere ainda a nota do Ministério das Infraestruturas e Habitação. O ministro das Infraestruturas e Habitação estima à RTP um investimento global de 15.000 milhões de euros (público e privado), excluindo o investimento em infraestruturas como a linha de alta velocidade, mas incluindo o novo aeroporto de Lisboa. 

A mesma fonte recorda que o Parque Cidades do Tejo deverá ser executado ao longo dos próximos 50 anos.  Parte dos planos datam já de 2005, mas não avançaram desde 2009. Em 2011, o projeto foi mesmo travado pela Troika. Em 2023, voltou a ser apresentado pelo Governo de António Costa, não tendo avançado desde então.