Rendas descem em 25,7% dos imóveis

28/07/2020
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Segundo dados apurados pela Confidencial Imobiliário no âmbito do SIR-Arrendamento, base de dados que monitoriza a dinâmica do mercado de arrendamento residencial, no segundo trimestre deste ano, 25,7% das casas em oferta para arrendamento em Portugal Continental registaram uma revisão na renda pedida, de -13,3%.

Os dois indicadores revelam um agravamento face ao primeiro trimestre do ano, quando 17,8% das casas em oferta registaram uma revisão do valor pedido de -11%.

Ricardo Guimarães, diretor da Ci, explica que “esta revisão é normalmente utilizada pelos proprietários para melhorar as possibilidades de arrendar o seu imóvel. Haver não só mais proprietários dispostos a rever o valor da renda pedida, como aumentar a magnitude da revisão, é uma consequência natural da estagnação da procura trazida pela pandemia, a qual já começou a pressionar as rendas contratadas em baixa”.

A revisão da renda pedida foi de -13,1% em Lisboa, semelhante ao resto do país, mas incidiu sobre mais imóveis, num total de 33,2% da carteira de casas para arrendamento em oferta na cidade.

A revisão de renda foi de -15,7% para 24,3% dos imóveis da Invicta. Segundo a Ci, as duas cidades revelam um agravamento nestes indicadores face ao trimestre anterior.

De notar também que a renda média pedida em Portugal Continental no segundo trimestre deste ano era de 12,2 euros/m², valor que era de euros/m² em Lisboa e 12,5 euros/m² no Porto.

Vendas de habitação voltam a crescer e preços resistem

Por outro lado, a venda de casas em Portugal (Continental) cresceu 11% em junho face ao mês anterior. A subida acontece pelo segundo mês consecutivo desde o início da pandemia, a par de uma subida homóloga dos preços de 13,8%.

Os números da Confidencial Imobiliário, apurados no âmbito do Índice de Volume de Vendas de Habitação, mostram que com este novo saldo mensal positivo o mercado volta a recuperar terreno face ao período pré-Covid (janeiro): as vendas estão agora 35% abaixo do registado nesse mês. A Ci recorda que, em abril, a venda de casas apresentava uma quebra de 53% face a esse período, que começou a recuperar em maio, e novamente em junho.

Por outro lado, os preços também registaram um comportamento positivo em junho, confirmando a tendência de estabilidade sentida ainda antes da pandemia, em março. O preço de venda das casas em Portugal subiu 0,8% no mês passado, face ao anterior, mantendo o registo dos últimos 3 meses, com variações em cadeia entre 0,4% e 0,9%.

Já em termos homólogos, o preço de venda da habitação subiu 13,8%, face a junho de 2019, mostra o Índice de Preços Residenciais.

Novos licenciamentos descem 10,6% até maio

Entretanto, entre janeiro e maio deste ano, as autarquias emitiram um total de 6.361 licenças de construção nova e reabilitação de edifícios de habitação, menos 10,6% que em igual período do ano passado.

No mesmo período, o licenciamento de novos fogos em construções novas registou uma descida de 6% em termos homólogos, num total de 9.404 habitações, mostra a Síntese Estatística da Habitação da AICCOPN agora publicada.

Nestes 5 meses, o novo crédito à habitação concedido pelas instituições financeiras subiu 9,6% face a igual período de 2019, para um total de 4.471 milhões de euros. Só o mês de maio registou uma variação negativa, de 14,6% face ao ano passado.

Já o valor mediano de avaliação bancária da habitação, para efeitos de concessão de crédito, fixou-se nos 1.114 euros/m² em maio, mais 8,9% face aos 1.023 euros apurados em maio de 2019. Até maio, nota também para o facto de que o consumo de cimento cresceu 6,4%, num total de 1,43 milhões de toneladas. Quanto aos fogos licenciados aumentam 3,7% no Alentejo.

No boletim agora publicado, a AICCOPN coloca o Alentejo como Região em Destaque, dando nota de que o número de fogos licenciados em construções novas na região, nos 12 meses terminados em maio, totalizou os 943, mais 3,7% que no ano passado.

Destes, 52% são de tipologia T3, 24% de tipologia T4 ou superior e 16% de tipologia T2.

Nesta região, os valores medianos de habitação bancária atingiram os 827 euros em maio, mais 2,5% em termos homólogos.