Vendas diretas online vão passar a ser normais no mercado imobiliário

18/06/2020
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As palavras são de Hugo Santos Ferreira, Vice-Presidente Executivo da APPII, que falava durante o webinar “Transformação Digital do Negócio nos Setores da Construção e Imobiliário” promovido pelo SIL/Tektónica.

Segundo o responsável, "é preciso lançar a mensagem lá fora de que precisamos de investimento", até porque Portugal "tem de continuar a ser um país atrativo e seguro", e considera que "fazer negócios à distância é o futuro. As vendas diretas online têm crescido exponencialmente, sabemos isso falando com os nossos associados. A transformação digital nas nossas empresas foi feita com o Covid-19, poderia demorar décadas, mas demorou dias".

Na ocasião, partilhou o recém apresentado Programa Relançar, uma iniciativa da APPII que "quer capacitar o setor imobiliário para voltar a atrair investimento estrangeiro. As nossas empresas estão preparadas para voltar a assumir um plano de retoma", garante. Entre as principais medidas pedidas neste programa estão o relançamento "inequívoco" dos programas de Golden Visa e Regime de Residentes Não Habituais, a descida do IVA na construção para 6%, o fim do AIMI na habitação e a maior celeridade dos processos de licenciamento.

Tecnologia vai permitir “fazer as coisas de maneira diferente”

Participando na mesma conferência, Ricardo Sousa, CEO da Century 21, partilhou que "temos de usar a tecnologia para fazer as coisas de maneira diferente e relevante".

Segundo o responsável, com a pandemia "coloca-se em evidência a importância da transformação digital e adaptação de protocolos. Assistimos à mobilização de toda a cadeia de valor de um setor. As assinaturas digitais foram aprovadas neste processo, e há clara necessidade de mudança de paradigma, numa lógica transacional e relacional". Destaca enquanto um dos principais desafios atuais a concretização das escrituras de forma digital.

E está convicto de que "a tecnologia só veio destacar a importância da inteligência emocional, com os clientes e também com os fornecedores".

Beatriz Rubio, CEO da Remax, explicou que a Remax se começou a adaptar digitalmente logo no início da crise, quando "a tecnologia passou a ser importantíssima, nomeadamente para falar com os clientes". Acredita que, ao contrário da crise anterior, "podemos continuar a fazer negócios usando a tecnologia, nomeadamente com visitas virtuais, e qualificando financeiramente os clientes".

Preços ainda não desceram

Beatriz Rubio atesta um aumento dos pedidos de contacto na rede Remax durante o mês de maio, num total de cerca de 800 contactos por dia. E acredita que "os preços ainda não desceram", e "muitas casas em alojamento local ainda não foram recolocadas no mercado. Muitos estão à espera que as fronteiras abram e que o turismo regresse".