Francisco Campilho
Francisco Campilho
Diretor Geral Adjunto da Victoria Seguros

A demografia e o imobiliário

15/09/2021

Apesar das tendências demográficas de Portugal serem bastante conhecidas, é certo que os números divulgados parecem antecipar alguns anos os cenários que prevíamos para mais tarde.

A população portuguesa reduziu-se em cerca de 200 mil pessoas (i.e. 2%) na última década, apesar de um saldo migratório positivo no mesmo período de cerca de 30 mil pessoas. Na origem desta evolução está a redução da taxa de natalidade, tendo o número de nascimentos caído cerca de 15% nos últimos 20 anos. Apesar de existirem casos de vitalidade de cidades como Braga e Viseu, a tendência revelada pelo Censos é o da desertificação do interior do país. Esta situação traduz-se num envelhecimento da população que também é potenciado pelo aumento da longevidade.

Estes primeiros resultados vêm desde já identificar inúmeros desafios, mas também oportunidades nas mais diversas áreas de atividade económica, nomeadamente no imobiliário.

Em primeiro lugar, tendo em conta as carências do país em termos habitacionais, as atuais políticas de acesso à habitação continuarão a ser necessárias para a promoção do acesso à habitação e melhoria das condições, nomeadamente através da reabilitação de edifícios. Com efeito, apesar da tendência de decréscimo populacional o impacto neste segmento não se fará ainda sentir a médio prazo.

No entanto, teremos de considerar que o envelhecimento populacional trará menor vitalidade ao segmento de aquisição de casa através de crédito hipotecário, com o consequente impacto no financiamento de novas casas.

Por outro lado, o segmento da habitação sénior com um nível assistencial adequado terá certamente nos próximos anos um aumento de procura com grandes desafios para evitar as situações que a pandemia veio, pelas piores razões, tornar evidentes. É necessário encontrar um modelo que evite o isolamento e pelo contrário promova o encontro e a integração geracional. Um objetivo adicional deste modelo deverá ser o de combate à desertificação do interior, potenciando as recentes tendências do teletrabalho e da redescoberta de uma vida fora da cidade. As inovações tecnológicas vão também permitir servir este segmento cuja tendência de crescimento, apesar de poder/dever ser impactada por políticas de revitalização populacional, vai continuar a ser a realidade demográfica dos próximos anos.