Francisco Campilho
Francisco Campilho
Diretor Geral Adjunto da Victoria Seguros

O Desafio Ambiental

27/04/2022

O Grupo SMA, de que a VICTORIA faz parte, é o líder em França de seguros de construção o que nos permite ter acesso a um vasto conhecimento nesta matéria e nomeadamente na resposta ao desafio ambiental. No caso francês, a Regulamentação Ambiental 2020, também conhecida por RA 2020, que entrou em vigor a 1 de janeiro deste ano para as novas construções do segmento residencial, tem três objetivos principais: a eficiência energética dos edifícios, a redução da pegada de carbono e o conforto de Verão durante as ondas de calor.

Em França, estima-se que a utilização de edifícios e as atividades de construção representam mais de 33% do total de emissões de gases com efeito de estufa (GEE): cerca de 28% pela utilização dos edifícios (principalmente aquecimento) e 5% pelas atividades de construção e renovação. As projeções efetuadas para o atingimento dos objetivos de neutralidade carbónica a atingir em 2050, implicam uma redução de 95% das atuais emissões de GEE dos edifícios. A utilização atual de edifícios representa em França emissões de cerca de 80 Milhões de toneladas (Mt) de dióxido de carbono (CO2). A redução destas emissões vai ser feita em duas etapas. Uma primeira até 2030, representa um esforço de limitação das emissões para metade, i.e. cerca de 45 Mt de CO2. A segunda etapa tem como horizonte 2050, e deverá levar o setor à proximidade da neutralidade carbónica, i.e. cerca de 5 Mt de CO2.

Este objetivo é ambicioso e exige que a renovação energética seja implantada em larga escala, para além da utilização de energias renováveis, ao mesmo tempo procurando melhorar a sobriedade energética dos edifícios. Com efeito, o plano de renovação energética dos edifícios existentes terá o maior impacto no atingimento do objetivo de redução das emissões de GEE. No entanto, relativamente às novas construções, o RA 2020 favorece uma nova forma de construir, compatível com os objetivos climáticos, com edifícios (inicialmente moradias ou edifícios de apartamentos e posteriormente de escritórios) construídos com materiais eficientes (com menor pegada de carbono), com menores necessidades de consumo de energia com recurso a energias renováveis.

A consciencialização destes impactos por parte dos vários intervenientes no setor é essencial para conseguirmos ter uma atitude de preservação climática. Desde logo, os projetos devem ser repensados desde o seu início à luz destes princípios. São vários os vetores que têm de ser analisados como, por exemplo, a opção pela restruturação e renovação de imóveis antigos em vez da sua demolição e reconstrução, o que permite uma economia considerável de carbono, bem como a integração da abordagem da economia circular, antecipando desde a fase de projeto a potencial reutilização de materiais.

A dimensão da mudança é enorme e só terá sucesso se todos, no setor de construção e nos outros setores de atividade, nos consciencializarmos desta necessidade de enfrentar o desafio climático. A comunicação técnica eficaz é um dos vetores primordiais desta alteração: é importante, por exemplo, que o impacto ambiental dos vários materiais e produtos seja bem caraterizado. O acesso a seguros que permitam uma melhor gestão e proteção dos riscos é parte integrante desta transformação, em que se terá de aprender a fazer melhor com menos. O setor da construção tem uma responsabilidade que é considerável, mas que se encontra à altura da sua capacidade de intervenção.