Francisco Campilho
Francisco Campilho
Diretor Geral Adjunto da Victoria Seguros

Ecos da COPIP

13/07/2022

Relativamente à habitação, reafirmou-se a necessidade de mais oferta e sobretudo cada vez mais verde ou sustentável. Por outro lado, na análise do mercado terá de se ter em atenção que as médias e a generalização de tendências deverá ser evitada quando se olha para o segmento residencial. Mais uma vez Portugal não é Lisboa, e a freguesia de Santa Maria Maior não é representativa daquilo que se passa nas freguesias das zonas limítrofes da capital. O segmento residencial é mesmo local e assim deve ser analisado. O impacto das subidas de taxa de juro, da mesma forma que não é igual para todos os segmentos do mercado, também não o é para as diferentes localizações. Esta realidade foi reafirmada pela vitalidade que as zonas da grande Lisboa têm estado a demonstrar, e não só pelas escolhas de localização do(s) novo(s) aeroporto(s) como noticiado esta semana. As alterações nas preferências por uma habitação com terreno, pátio ou jardim, em zonas onde ainda existem, estarão na origem dessa nova tendência que acompanha a da organização híbrida do trabalho.

No entanto terá de se ter em conta que a procura continua globalmente a ser grande e está a assistir-se a uma redução da oferta. No atual momento em que atravessamos e/ou entramos numa crise de quatro níveis (geopolítica, económica, climática e pandémica), os desafios tomam uma proporção distinta. Se é necessária nova construção e uma recuperação do parque habitacional, a atual dificuldade de atração e de retenção de recursos humanos, agravada pela concorrência dos Planos de Recuperação e Resiliência dos vários países europeus, traduz-se numa falta estimada de 80 mil trabalhadores no setor.

Por outro lado, os desafios de sustentabilidade e as diretrizes comunitárias, com objetivos bem definidos para 2030, necessitam de uma adaptação à realidade portuguesa. A redução da fatura energética e a sustentabilidade dos edifícios têm de ser vistas de uma forma integrada no território: as soluções para a mobilidade e para os transportes têm também de ser adaptadas à realidade dos terrenos ocupados (declives, colinas, exposição solar…).

Foram estes alguns dos temas que mais me marcaram nesta nova edição da COPIP. A consciencialização dos desafios é um passo essencial para estabelecer estratégias que permitam vencê-los. Esta iniciativa voltou este ano a contribuir para colocar o setor da promoção e investimento imobiliário português na linha da frente da sustentabilidade.