Manuel Reis Campos
Manuel Reis Campos
Presidente da CPCI e da AICCOPN

Falta de mão de obra na Construção exige medidas urgentes

02/06/2021

Porém, se olharmos para o volume de emprego na Construção, verifica-se que o Setor criou 18 mil postos de trabalho neste mesmo período. A resiliência do investimento privado e a recuperação do investimento público, num momento em que o Portugal 2020 se encontra no seu ciclo final, têm representado um importante contributo para a economia e para o emprego, particularmente relevante na presente conjuntura.

No entanto, é preciso ter presente que estes são números que ficam muito aquém das necessidades atuais e futuras de trabalhadores no Setor. A falta de mão-de-obra especializada é identificada, pelas empresas, como o principal constrangimento à atividade. E, como temos vindo a alertar, este não é, apenas, um problema quantitativo, que se resolva através dos normais mecanismos do mercado de trabalho. É, sobretudo, um problema de criação de competências e de formação profissional, que permita reconverter trabalhadores oriundos de setores que enfrentam reduções de atividade e atrair jovens para áreas onde existem claras insuficiências.

Portugal tem, pela frente, o enorme desafio que é recuperar a economia, regressar a uma trajetória de convergência com a restante Europa e, simultaneamente, implementar novos modelos de crescimento assentes em fatores determinantes como a sustentabilidade e a competitividade. Os recursos europeus e, em particular, o PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, vão exigir um grande esforço por parte do tecido empresarial. Pede-se mais inovação, novas soluções, níveis mais elevados de industrialização e de digitalização nos processos construtivos.

Estes são vetores incontornáveis, mas, como temos defendido, é imprescindível implementar uma estratégia de qualificação dos recursos humanos, que permita às empresas um posicionamento competitivo favorável, perante a concorrência externa. Os dois grandes Centros de Formação Profissional – o CICCOPN e o CENFIC, são essenciais e têm de estar focados na resposta às necessidades das empresas.

Em março de 2021, estavam registados 611.958 pedidos de emprego nos Centros do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Sabemos que este é um número demasiado elevado, e que constitui um pesado custo económico e social. E, sobretudo, é um número que não faz sentido quando, num Setor com o peso e a dimensão da Construção, a falta de mão-de-obra qualificada é identificada, neste momento, como o seu principal problema, pelo que se exigem estratégias eficazes para formação e requalificação de trabalhadores para este Setor.