Francisco Campilho
Francisco Campilho
Presidente da Comissão Executiva da VICTORIA Seguros

O Imobiliário seguro

08/02/2023

A ligação mais conhecida surge nos empréstimos hipotecários, em que para além da garantia real que é dada pelo imóvel, os Seguros de Vida cobrem o risco de não pagamento em caso de morte ou de invalidez dos titulares do empréstimo. Por outro lado, os Seguros Multirriscos habitação garantem uma proteção eficaz contra, como o nome indica, um rol de riscos que podem ir do incêndio, aos danos por água, ao sismo, mas também ao roubo. Esta combinação de proteções que é dada por um lado aos proprietários e por outro lado ao imóvel, reduzem de forma drástica o risco financeiro do empréstimo, permitindo deste modo que o custo do empréstimo seja substancialmente menor. Esta é uma das formas mais utilizadas em todo o mundo para promover a compra de habitação própria através de um financiamento mais acessível.

Outra ligação surge nos condomínios, em que de acordo com a lei, o seguro contra o risco de incêndio é obrigatório. Esta disposição, que está em vigor desde 1966, parece não ser adequada à perceção de risco dos nossos dias. Com efeito, uma proteção contra riscos de tempestades, inundações, roturas de canalizações e outros danos por água, e porque não, sismos, permitiria reduzir os riscos de uma forma muito mais adequada. Uma zona em que por vezes surgem problemas em caso de sinistro é quando nos condomínios coexistem níveis de cobertura muito diferentes, muitas vezes inexistentes, e que dificultam a resolução da situação de forma satisfatória para todos os intervenientes. Há neste ponto a possibilidade de intervir para garantir uma maior adequação aos riscos e uma redução de conflitos, recorrendo às várias soluções de seguros que estão disponíveis no mercado.

Uma outra área de ligação entre a atividade seguradora e a atividade de promoção e investimento imobiliário, são os seguros de construção e outras soluções de engenharia. No caso dos Seguros de Construção ficam cobertos os riscos convencionais de danos e os riscos de fenómenos da natureza, mas também os riscos próprios inerentes à execução de uma obra (erros ou falhas humanas, execuções defeituosas em consequência de erros de desenho, …). Já no Seguro Decenal de Danos, é possível, por exemplo, cobrir por um período de 10 anos a indemnização por danos no edifício decorrentes de erros ou defeitos em alicerces, vigas ou outros elementos estruturais, por exemplo. É o recurso a este tipo de seguros que se encontra na origem do desenvolvimento do setor da construção em países onde a sua contratação é obrigatória, como em França e em Espanha.

Num momento em que a política de habitação ganha uma enorme atenção por parte do Estado e dos investidores, a utilização de estratégias que integram as soluções e ferramentas disponibilizadas pela atividade seguradora, e que não se esgotam nos exemplos aqui referidos, é garantia de uma maior segurança, sucesso e perenidade.