Mas esta transformação, embora repleta de benefícios, levanta desafios que exigem um olhar atento e uma adaptação estratégica por parte dos mediadores imobiliários.
Será então uma oportunidade ou um desafio? Depende de quem a encara.
A implementação de Modelos de Avaliação Automática (AVM – Automated Valuation Models) –sistemas que utilizam modelação matemática e extensas bases de dados para fornecer avaliações imobiliárias de forma quase instantânea – foi um dos primeiros grandes passos para esta evolução tecnológica. Através da análise de variáveis como valores de propriedades semelhantes, avaliações passadas, tendências históricas de preços e características do imóvel, os AVM representam um avanço significativo na rapidez e na acessibilidade da informação imobiliária. A sua limitação reside na incapacidade de considerar as condições reais e específicas de um imóvel sem uma visita presencial.
E não podemos falar de tecnologia, sem falarmos de Inteligência Artificial e do seu impacto no atendimento ao cliente. Ferramentas baseadas em Processamento de Linguagem Natural, como o modelo BERT em português, permitem a implementação de chatbots avançados capazes de interpretar as necessidades e expetativas dos clientes com um nível de precisão semelhante ao do ser humano, o que garante um serviço mais ágil e personalizado, assim como possibilita uma maior capacidade de resposta.
A IA revela-se uma aliada na identificação das melhores oportunidades de investimento, na automatização de processos burocráticos e na previsão de tendências do mercado, conferindo aos mediadores imobiliários uma vantagem competitiva inegável.
O potencial da tecnologia blockchain – outra das mais-valias da evolução tecnológica – promete uma transformação profunda na forma como as transações imobiliárias são realizadas. Através de um registo descentralizado e imutável, o blockchain pode garantir uma maior segurança e transparência nas transações, reduzindo o risco de fraudes e agilizando processos burocráticos. Os chamados contratos inteligentes, por sua vez, podem automatizar e acelerar a formalização de negócios, de forma a minimizar erros e a eliminar intermediários desnecessários.
Diante desta nova realidade, o desafio para os mediadores imobiliários passa por compreender o impacto desta revolução tecnológica e utilizá-la da forma mais estratégica possível. A automatização de processos e a digitalização do setor não devem ser encaradas como uma ameaça – é uma oportunidade para elevar a qualidade do serviço prestado e reforçar a confiança dos clientes.
A revolução tecnológica na mediação imobiliária é uma realidade incontornável e, para mim, certamente uma oportunidade para fazermos melhor, mais rapidamente. Cabe aos profissionais do setor acompanhar esta evolução e liderá-la, garantindo que o futuro da mediação imobiliária seja adaptado às novas exigências do mercado e dos consumidores.