José Araújo
José Araújo
Diretor da Direção de Crédito Especializado e Imobiliário do Millennium bcp

Lisboa será sempre um mercado atrativo

25/07/2020

Apesar disso, o impacto do Covid-19 far-se-á sentir no curto prazo, diria que gradualmente até final deste ano ou fim do 1º trimestre de 2021, em especial nos valores globais transacionados e em algum alisamento e paragem de subida nos preços de venda /aluguer. Acredito que não será ao nível do que alguns profetas da desgraça, fora do mercado real e sustentados apenas em modelos económicos, dizem, mas será inevitável, com o mercado a mudar do lado da oferta para o da procura, que ele sofra um ajustamento nesta fase.

Lisboa vai também sofrer algumas alterações no tipo de oferta, de menos construção para clientes internacionais em zonas centrais, para mais construção em zonas limítrofes para o mercado médio nacional. Vai aumentar ainda o investimento na construção nova para arrendamento e irá dar-se a transformação gradual de arrendamento local para arrendamento de longo prazo apoiado nos vários programas que a equipa camarária tem posto em campo e que deverá aumentar na sua velocidade de concretização.

A procura por maiores áreas e edifícios com menos condóminos pode também ser uma tendência por questões de segurança sanitária, mudando um pouco o atual paradigma da procura por áreas mais reduzidas com o mesmo número de quartos que os atuais níveis de preços praticados estavam a empurrar.

Procura por casa nova vai substituir bastante a procura pela reabilitada, em função do equilíbrio dos preços existente entre estes dois tipos de oferta.

Finalmente, neste segmento, para não se perder a dinâmica do investimento estrangeiro, deixava uma sugestão: uma nova reabertura temporária ao AL em zonas agora inibidas (como no Porto recentemente) com uma manutenção do programa Golden Visa, poderiam ajudar a uma recuperação mais célere e mesmo mais atrativa do mercado da capital face a outras zonas do país.

Nos segmentos não residenciais continuam a faltar escritórios para as multinacionais que queiram vir para Lisboa, bem como para quem queira sair de onde está para espaços mais modernos e adaptáveis ao teletrabalho, pelo que a sua procura vai manter-se a todos os níveis, pese embora com soluções e arquiteturas adaptadas ao fenómeno do teletrabalho em crescimento.

A procura de espaços para comércio de rua/bairro pode ganhar também nova vida, com novos hábitos entre os consumidores de fazer compras mais perto de casa, evitando os grandes espaços comerciais e outras áreas com tendência de juntar multidões.