Com um mercado imobiliário cada vez mais pressionado, oportunidades como o MIPIM não podem ser desperdiçadas. O país tem de se posicionar estrategicamente, atrair os investidores certos e, acima de tudo, demonstrar que é um terreno fértil para quem quer apostar no setor da habitação. O problema? A concorrência está a jogar para ganhar. E nós?
Portugal tornou-se um destino imobiliário de referência. Temos sol, segurança, qualidade de vida e um custo de vida competitivo. Mas há uma grande contradição: enquanto despertamos o interesse internacional, vivemos uma crise de acesso à habitação interna. O MIPIM pode ser um trunfo decisivo para ajudar a resolver este problema. Grandes fundos e promotores imobiliários procuram mercados estáveis e com potencial de crescimento. Portugal precisa de deixar claro que não é apenas um destino turístico, mas sim um país onde vale a pena investir nos vários segmentos do setor imobiliário. Se não soubermos comunicar esta mensagem de forma assertiva, certamente que outros países vão fazê-lo por nós e atrair investimento que poderia ser nosso.
Espanha, Itália, Grécia e vários mercados do Leste Europeu já estão no terreno. Estes países estão a fazer uma aposta forte, oferecendo incentivos fiscais, processos simplificados e um discurso claro para atrair investimento. Neste evento, quem apresenta soluções viáveis e concretas ganha, quem vai apenas para tirar umas fotos e distribuir cartões de visita, perde. No MIPIM, não basta estar presente. É preciso ser relevante.
Para sair do MIPIM com resultados concretos, Portugal tem de jogar à ofensiva e não apenas "defender". Como? Ao levar projetos reais, e não apenas ideias vagas, os investidores querem oportunidades concretas, seja em reabilitação urbana, seja em novos projetos. Temos de garantir estabilidade e confiança. Dificilmente se investe num país onde as regras mudam constantemente. O setor precisa de previsibilidade legislativa e fiscal. Mostrar que somos um país que aposta em inovação e na sustentabilidade. Portugal tem de mostrar que está aberto a novas soluções construtivas e edifícios energeticamente eficientes. Acima de tudo temos de nos posicionar como um destino de investimento onde há espaço para todos os setores e segmentos de mercado.
O MIPIM não é um passeio, é uma ferramenta estratégica que pode ajudar a definir o futuro do mercado imobiliário em Portugal. Se queremos um setor mais equilibrado, competitivo e sustentável, este é o palco onde temos de marcar a nossa posição. Portugal não pode ser apenas um espectador, tem de ser protagonista.
Vamos jogar para ganhar?