Hugo Santos Ferreira
Hugo Santos Ferreira
Vice-Presidente Executivo da APPII

Negócios à distância são o futuro

10/04/2021

Tecido empresarial e governantes têm de estar motivados e unidos para esta velha nova realidade, cuja necessidade a Pandemia de COVID-19 veio trazer ao de cima e mesmo concretizar.

Nas dificuldades temos de encontrar as oportunidades e em tempos de contrariedades temos de saber encontrar as alternativas e buscar as soluções. É precisamente o que o tecido empresarial e o sector do investimento imobiliário nacional têm estado a fazer nos últimos meses, implementando por exemplo as vendas diretas online, que aumentaram exponencialmente.

Na verdade, tal foi uma mudança de mentalidade que tardava a chegar e cujos procedimentos poderiam levar anos a implementar, mas que estão a ser executados no período de escassos meses. É notório e as empresas estão de parabéns. Mas a verdade é que os grandes responsáveis pelo processo de transformação digital que está curso não foram os CIO – Chief Innovation Officers das nossas empresas, mas sim o COVID-19, que a todos nos obrigou e continua a obrigar a rever processos e procedimentos e com a isso a inovar.

Certamente que o futuro não será o mesmo com esta Pandemia. O mundo mudou, está a mudar e o dia de amanhã será com certeza muito diferente para todas as empresas a uma escala global. As vendas à distância pela via digital já são uma realidade.

Ter de fechar um negócio à distância fará parte do “novo normal” do imobiliário. As vendas online são o futuro. No caso da promoção imobiliária, as vendas diretas online têm crescido exponencialmente, sabemos isso falando com os nossos associados.

A transformação digital nas nossas empresas foi feita com o Covid-19, um passo de gigante que poderia demorar décadas, mas demorou dias.

É, por isso, imperioso que as medidas públicas se adequem à nova realidade, pelo que a realização de escrituras públicas e demais atos públicos e notariais relativos ao registo predial devem passar a poder fazer-se através de assinatura digital, usando a teleconferência, de tal forma que a identificação das partes e a livre vontade das mesmas em contratar possam ser validamente confirmadas, eliminando a necessidade da presença física e beneficiando o negócio à distância. Aliás, este já não é o futuro, faz hoje parte de uma necessidade do presente.

É de louvar que uma grande parte das empresas do sector imobiliário e em especial do sector da promoção e investimento imobiliário estavam preparadas em matéria de inovação, tendo sido capazes de se adaptar e em poucos dias iniciar ou implementar o seu próprio processo de transformação digital.

Falta agora terminar de concretizar do ponto de vista legislativo a realização de negócios à distância no sector imobiliário e assim preparar o futuro, ou diria o presente…