Francisco Campilho
Francisco Campilho
Diretor Geral Adjunto da Victoria Seguros

Regresso presencial ao Salão Imobiliário de Lisboa

13/10/2021

Foi a minha primeira ocasião de regresso a um evento desde há um ano e meio. Sentia-se no ar não só a energia de um setor que nunca parou e conseguiu manter a forte atividade durante este período de confinamento, mas também a enorme satisfação de todos os presentes de se reencontrarem, com as atuais medidas de segurança, e poderem conviver e debater o presente e o futuro do imobiliário.

No momento atual, os desafios do setor são significativos: a escassez dos materiais e o aumento dos custos, o impacto do investimento dos planos de recuperação dos outros países europeus, o peso da fiscalidade, a instabilidade legislativa, o excesso de burocracia e a captação de investimento estrangeiro.

Ao analisar esta lista de desafios, podemos afirmar que, de modo geral, são transversais a outros setores da economia portuguesa. No entanto numa outra linha de análise, alguns desafios são crónicos e específicos do nosso país, enquanto outros são tendências internacionais recentes e que desse modo afetam a economia global.

A captação de capital estrangeiro é essencial para o desenvolvimento do setor e do país. A maior atratividade de um país depende, entre outros fatores, de um enquadramento legislativo estável (por exemplo ao nível do regime de arrendamento urbano), de uma fiscalidade competitiva (nos impostos sobre o património imobiliário) e de processos eficientes de aprovação de projetos. São estas as grandes linhas que deviam ser endereçadas com prioridade pelos respetivos responsáveis a nível nacional e local.

Os desafios seguintes já não dependem da nossa capacidade de organização e decisão.

A fase de “economia da escassez” que atravessamos vai demorar algum tempo a ser ultrapassada. A recuperação e estabilização dos fluxos de produção, após os diversos períodos de confinamento, com impacto também na atual crise de transporte de bens e mercadorias, deverá continuar durante os próximos meses. Se aliarmos esta situação ao aumento da procura e à concorrência por parte de outros planos de investimento em construção e infraestruturas no resto da Europa, conseguimos perceber que no curto e médio prazo os preços deverão aumentar.

Esta pressão do lado do custo de produção vai ter impacto não só na sustentação dos atuais preços do imobiliário, mas também nos prazos de entrega.

No entanto, não devemos descurar a oportunidade que esta situação representa para o desenvolvimento tecnológico do setor da construção. O contributo de novas tecnologias poderá ter um efeito benéfico quer na redução de custos, quer na otimização de prazos de entrega.

Foi este o ambiente de discussão e partilha de ideias que presenciei no SIL e que confirmam a vitalidade e o futuro do setor imobiliário em Portugal.