Francisco Campilho
Francisco Campilho
Diretor Geral Adjunto da Victoria Seguros

As tendências dos novos anos 20

31/03/2021

Com efeito, as alterações tecnológicas dos últimos quinze anos que alteraram a forma como comunicamos (das chamadas de voz, para os sms e posts de text e de volta à voz nas mensagens gravadas no wahtsapp), como nos relacionamos (pelas diversas redes sociais e profissionais), como ouvimos música, ou como vemos séries e filmes. Mas também as evoluções dos softwares que favorecem/permitem a colaboração em documentos comuns, partilhados entre membros de equipas e entre equipas à distância, ou a nossa própria identificação digital certificada. A situação de confinamento a que nos vimos forçados, levou a uma adoção quase instantânea de soluções que durante muito tempo estavam disponíveis, mas demoravam a arrancar. Lembro-me das enormes dificuldades que tivemos em avançar com um projeto de teleconsultas há sete anos, quer por parte de prestadores quer por parte de clientes. Agora olho para o crescimento exponencial das teleconsultas nos últimos meses, e como em poucas semanas de confinamento todas as barreiras e resistências acabaram e hoje a teleconsulta é uma realidade generalizada que veio para ficar.

Estas alterações que acabaram por ter influência nas novas tendências dos novos anos 20, também em termos de imobiliário. São diversas situações reais que ocorreram nos últimos meses e que mostram a evolução do mercado.

Ao nível da habitação, tem-se vindo a registar uma maior procura de rés-do-chão com pátios e/ou acesso a jardins que tornam o teletrabalho mais aprazível. Jovens casais em início de vida e em trabalho remoto (com um dia presencial por semana em Lisboa), mudam-se para Santarém onde conseguem por um valor razoável uma casa com sossego e com um quintal. Famílias que arrendam o seu apartamento da cidade para poderem, por sua vez, arrendar uma casa no campo. Há um dinamismo no mercado que permite que estas vontades ou sonhos se concretizem.

Ao nível dos escritórios, a certeza de que o teletrabalho iria estar na origem de uma drástica redução do espaço necessário é contrariada pela necessidade de uma maior área por colaborador, por forma a garantir uma melhor segurança e condições de trabalho. Escritórios que planeiam sair do centro da cidade, ainda chamado CBD-Central Business District, porque os acessos se estão a tornar cada vez mais difíceis para colaboradores, parceiros e clientes uma vez que os espaços pedonais e de ciclovias estão em crescimento.

São algumas das tendências que se estão a fazer sentir e que vão alterar as cidades, mas também o campo. Falta em quase todos estas situações um elemento que seria decisivo para a sua concretização mais duradoura: a eficiência e cobertura da rede de transportes públicos que garantiria a acessibilidade e mobilidade. Que mais novidades nos trarão as inovações tecnológicas que se seguem, como as redes 5G e o seu impacto na domótica?