SOLUÇÃO CASA

A tecnologia e a forma como transforma as nossas casas

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Imaginemos o seguinte cenário: o dia de trabalho termina e rumámos a casa. No caminho, pegamos no nosso smartphone e, seja por comando de voz seja através de uma aplicação, acedemos ao assistente virtual lá de casa. Uma espécie de central de informação que agrega vários dispositivos conectados, como o fogão, o sistema de aquecimento, sistema de música e ainda o de iluminação. Isto para simplificar, claro. Ao tal assistente virtual, e ainda a caminho de casa, pedimos para colocar a iluminação a 30%, a temperatura ambiente a 20 graus e damos ainda instruções para que o forno vá aquecendo a 190 graus. A cereja em cima do bolo é quando pomos a nossa playlist favorita a tocar. Este cenátio pode ainda não ser a realidade da maioria das casas. Mas já é uma realidade, não é algo que esteja projetado num estudo a 20 anos, a isso iremos mais tarde.

A verdade é que a tecnologia está cada vez mais presente nos nossos lares. Novos projetos mostram cada vez mais, porém, que essa presença está apenas a começar a acontecer.

A consultoria CB Insights fala em construções modulares, projetos pré-fabricados e até mesmo um bairro todo integrado tecnologicamente, num esforço concertado entre gigantes tecnológicos como a Google ou a Amazon. Além de ambicionarem trazer vantagens ao setor e aos próprios moradores, muitos projetos também acabam por solucionar problemas das próprias cidades. Até porque o cenário que descrevemos de “ida para casa” pode perfeitamente ser, num sentido mais amplo, aplicado ao bairro e à cidade. Foquemo-nos na despensa. Cada produto, sobretudo os essenciais e de consumo habitual, ficam em prateleiras sensorizadas e com a capacidade de pesar. À medida que formos consumindo os produtos, o nosso assistente virtual pode ir ajudando à gestão da despensa, avisando-nos que só temos um quilo de arroz, ou que o leite está a acabar. Mais: o assistente pode enviar uma ordem de encomenda à mercearia do bairro que prepara os produtos e os manda entregar em casa. Uma encomenda rececionada pela caixa do correio inteligente.

Em 1964, Isaac Asimov, um escritor norte-americano, teve a coragem de prever o mundo a 50 anos. Dizia ele que cidades como Boston e Nova York iriam convergir ao longo da costa, formando áreas “superurbanas”. Enquanto isso, as comunidades suburbanas teriam que crescer para baixo e criar lares subterrâneos. Embora não se tenha chegado a esse ponto, é verdade que as cidades cada vez se tornam mais populosas, à medida que as pessoas são atraídas pelo crescimento económico. As cidades têm procurado, sem muito efeito, desenvolver regulamentações e incentivos para enfrentar o problema, com startups e gigantes da tecnologia a entrarem na corrida para mudar a forma como o setor imobiliário atua, projeta e constrói.

E daqui a 20 anos?

Daqui a 20 anos, a Euromonitor International diz que os nossos espelhos de casa vão dar-nos dicas de estilo – espelho, espelho meu... – e teremos robôs para nos ajudar a fazer o jantar.
Em duas décadas, este barómetro confirma a normalidade de aparelhos inteligentes que monitorizam a ingestão de alimentos e solicitam automaticamente novos itens. Mordomos robôs e máquinas de lavar a louça que pedem automaticamente mais detergente fazem ainda parte da visão a 20 anos.

Até 2040, o mercado doméstico inteligente estará disponível a grande parte da população. "À medida que as formas de consumir evoluem, cada vez mais os consumidores deixam de ter de se deslocar para fazerem as suas compras", afirmou o relatório. "No futuro, muitos outros aspetos da vida fora de casa poderão ser trazidos para a casa devido à digitalização". Algo que, no atual contexto de pandemia, não podia vir mais a calhar.

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