A Vogue Homes atua há mais de duas décadas no segmento premium. O que mudou no comprador de uma casa de gama alta?
Mudaram vários aspetos, o segmento premium estava associado à localização, dimensão, qualidade dos materiais e a algum grau de exclusividade. Hoje, tudo isso continua a ser importante, mas, só por si, já não é suficiente. O comprador tornou-se muito mais informado e exigente. Procura arquitetura, eficiência energética, conforto acústico e térmico, tecnologia, qualidade dos espaços e serviços.
A Vogue Homes sempre se posicionou no segmento premium, evitando deliberadamente a utilização da expressão “luxo”. É uma distinção importante para nós, até porque a palavra luxo banalizou-se demasiado no mercado imobiliário.
O cliente que escolhe uma casa Vogue procura autenticidade, privacidade, qualidade e soluções que efetivamente diferenciem a sua experiência e vivência diária. É isso que temos vindo a desenvolver através do conceito Fine Living em pensar nas melhores formas de vivência.
Olhando para o percurso da empresa, quais foram os momentos de maior transformação e que decisões foram determinantes para chegar à dimensão atual?
A Vogue Homes começou essencialmente ligada à reabilitação urbana e, desde o início percebemos que não queríamos ser apenas mais um promotor, mas fazer algo diferenciador.
Com a entrada de grandes players internacionais em Portugal e a transformação do próprio mercado, tivemos de nos adaptar e crescer, mas continuar a acrescentar valor. A aposta na diferenciação, na arquitetura de autor, numa maior exigência de projeto e uma gestão cada vez mais integrada de todo o ciclo do projeto foi, e continua a ser, fundamental.
Hoje, um dos maiores desafios ao crescimento é precisamente conseguir assegurar a qualidade e a conformidade do produto final. O que é cada vez mais exigente, devido à dificuldade em encontrar serviços de construção civil que mantenham consistentemente os padrões de qualidade que pretendemos.
Por isso na Vogue Homes não entregamos casas perfeitas, procuramos fazê-lo e trabalhamos permanentemente nesse sentido, mas a construção continua a ser uma atividade com uma componente humana muito significativa, nos dias de hoje pouco qualificada e, onde surgem situações que precisam de ser corrigidas em fase posterior e já durante o período de utilização.
A qualidade é um processo permanente e, apesar da evolução e das competências que fomos incorporando, continuam a existir situações decorrentes da execução que exigem intervenção posterior, e é precisamente por isso que atribuímos grande importância ao acompanhamento pós-venda.
A evolução da Vogue Homes tem sido também isso, acrescentar sucessivamente competências ao nosso modelo para aproximar cada projeto do nível de qualidade que ambicionamos.

Projeto Vogue Homes: Camaleão, Castro Marim
Nos projetos premium, onde termina a valorização arquitetónica e começa o excesso de produto? O que acrescenta realmente valor a uma casa?
Essa fronteira é extremamente importante, hoje quase tudo se anuncia como luxo. Utilizar mais materiais e mais caros, não transforma necessariamente uma casa num produto melhor ou premium.
A arquitetura acrescenta valor quando melhora a forma como vivemos: silêncio, temperatura, luz natural, boas proporções, relação entre interior e exterior, privacidade, conforto acústico e térmico, eficiência energética, funcionalidade das plantas e qualidade dos materiais onde estes realmente fazem a diferença.
No segmento premium, a verdadeira diferenciação está muitas vezes naquilo que não é imediatamente ostensivo mas naturalmente percetível nos detalhes interiores que conferem identidade e exclusividade, sendo a própria utilização do espaço uma experiência.
É precisamente aqui que surge um novo conceito da Vogue Homes que dá continuidade à sua assinatura Fine Living – o Silent Perception.
Não queremos que uma casa precise de demonstrar quanto custou, nem que a sua qualidade tenha de ser anunciada. Queremos que seja percebida. Para a Vogue Homes o premium deve ser uma perceção e não uma afirmação.
Além de Lisboa, estão presentes no Porto, Algarve e Melides. Procuram novas geografias ou localizações capazes de sustentar projetos diferenciados?
Diria que é sobretudo uma procura por localizações capazes de sustentar projetos diferenciados.
Hoje uma parte importante da nossa atividade está no eixo Oeiras–Cascais, que se tem revelado um mercado particularmente interessante para a Vogue Homes.
Também o próprio conceito de localização premium se alterou. Há vinte anos estava muito concentrado em determinadas zonas tradicionais. Hoje, essa realidade é bastante mais abrangente, desde que exista uma combinação particular entre localização, paisagem, acessibilidade, escassez, envolvente e qualidade de vida.
Melides é um bom exemplo dessa transformação. O projeto tem de nascer daquele território, respeitar a sua escala, identidade e relação com a paisagem.
A diversificação geográfica que existe hoje é uma consequência e não o objetivo. O princípio é encontrar ativos e localizações onde possamos criar um produto com identidade própria e onde exista uma procura capaz de reconhecer esse valor.
A reabilitação de edifícios em zonas históricas e consolidadas é uma componente importante do vosso trabalho. Nesta área quais são hoje os maiores obstáculos com que se deparam?
Hoje existem três componentes muito importantes e que, conjugados, tornam o nosso trabalho muito difícil.
Os bons ativos são escassos e caros, os custos de construção aumentaram significativamente e a reabilitação tem ainda uma componente de imprevisibilidade superior à construção nova. Depois temos o licenciamento, que continua a ser um dos grandes problemas estruturais do setor.
Quando um processo demora vários anos, não estamos apenas perante um problema administrativo, estamos perante um custo económico real. E, por fim, existe ainda outro problema particularmente grave, a falta de previsibilidade legislativa e interpretativa.

Projeto Vogue Homes: Quinta do Cedro, Oeiras
Onde quer estar a Vogue Homes dentro de cinco anos? Crescer em dimensão e geografias ou manter uma estratégia seletiva?
Não temos como objetivo crescer por crescer. A dimensão é importante porque permite ganhar eficiência, capacidade financeira e conhecimento, mas nunca deverá colocar em causa o controlo sobre o produto e esse é hoje um dos grandes desafios que enfrentamos.
Conseguir contratar serviços com um nível de qualidade consistente que nos permita entregar casas com o menor número possível de situações a solucionar posteriormente em pós-venda, tornou-se uma questão central para qualquer estratégia de crescimento.
Nos próximos anos queremos continuar a consolidar o nosso portefólio, desenvolver projetos de maior dimensão e reforçar o investimento nas geografias para onde internacionalizámos, mantendo uma estratégia seletiva e não apenas do número de metros quadrados produzidos.
Portugal enfrenta uma forte crise de habitação, enquanto o segmento premium continua a atrair investimento. Existe o risco de estarmos a produzir casas cada vez mais sofisticadas para uma procura distante das necessidades dos portugueses?
É uma questão legítima, mas penso que devemos evitar misturar dois mercados que têm funções diferentes. O segmento premium não é a causa da falta de habitação em Portugal. Ocupa uma parcela relativamente limitada do mercado e tem características, localizações e compradores específicos, que não são só os internacionais.
O verdadeiro problema da habitação é estrutural, durante muitos anos Portugal produziu menos casas do que aquelas de que necessitava. Temos falta de oferta, processos de licenciamento excessivamente longos, custos de construção elevadíssimos, uma carga fiscal muito pesada – não apenas sobre a habitação, mas também sobre as famílias –, instabilidade legislativa e uma burocracia que provoca atrasos sucessivos.
O imobiliário não existe isolado da economia e do funcionamento do país. A eficiência dos serviços públicos, a Justiça, a estabilidade das regras e a confiança nas instituições também condicionam as decisões de investimento.
São mercados e desafios diferentes e podem perfeitamente coexistir. O erro seria tentar resolver o segundo através da limitação do primeiro.


