Reabilitar um edifício histórico é sempre um exercício de equilíbrio entre memória e futuro. No caso do ANNA, empreendimento residencial junto à Avenida da Liberdade promovido pela Adriparte, esse desafio transformou-se no próprio conceito do projeto. Mais do que criar novas habitações de luxo, o objetivo passou por preservar a identidade de um edifício da década de 1940, reinterpretando-o através de uma linguagem arquitetónica contemporânea.
Localizado na Rua Alexandre Herculano, em gaveto com a Rua Camilo Castelo Branco, o ANNA ocupa uma das zonas mais nobres e valorizadas de Lisboa. E o seu nome não foi escolhido ao acaso. Constitui uma homenagem a Ana Plácido (a musa inspiradora e companheira de vida do autor de Amor de Perdição), reforçando a ligação do edifício ao contexto urbano e cultural que o envolve. Segundo Pedro Barbas, Board Member da Adriparte, o projeto "não se revê apenas como uma proposta imobiliária, mas como uma intervenção de caráter cultural e patrimonial, onde o design contemporâneo dialoga e evoca a memória da pré-existência, numa estética de contenção e intemporalidade ".
Com 12 apartamentos distribuídos por seis pisos, com tipologias T1 a T4, incluindo uma penthouse, o ANNA assume um posicionamento claramente premium. "Mais do que um produto residencial, posiciona-se como uma proposta de habitação contemporânea de luxo discreto, orientada para um estilo de vida urbano sofisticado, com uma abordagem focada no conforto, design intemporal e qualidade espacial ", explica o promotor.

Arquitetura pensada para durar
O projeto arquitetónico, assinado pelo premiado atelier Openbook Studio, parte da reabilitação do edifício existente, privilegiando uma intervenção de continuidade e respeito pelo património.
Pedro Barbas explica que "a reabilitação é entendida como um exercício de continuidade, respeito e contemporaneidade". A organização interior assenta em três pilares – proporção, luz natural e materialidade – procurando criar espaços serenos e intemporais.
A escadaria original assume um papel central na organização do edifício, enquanto a penthouse representa o ponto alto da intervenção, beneficiando de áreas generosas, pé-direito elevado, abundante luz natural e uma forte relação visual com a cidade.
Sustentabilidade integrada na reabilitação
Embora assente num edifício histórico, o ANNA incorpora um conjunto alargado de soluções de eficiência energética. A estratégia começou logo pela própria opção de reabilitar o património existente, reduzindo o impacto associado à construção nova.
O empreendimento integra painéis fotovoltaicos, bombas de calor, isolamento térmico de elevado desempenho, caixilharias eficientes, vidros duplos com proteção solar e sistemas de domótica que permitem otimizar os consumos energéticos. "A sustentabilidade foi encarada como um elemento essencial para criar um projeto duradouro, responsável e alinhado com as exigências atuais", refere o promotor.
Entre as comodidades encontram-se ainda uma área lounge, pátio interior, espaço wellness com ginásio e sala de massagens, bem como estacionamento privativo.

Reabilitar sem descaracterizar
Um dos maiores desafios da intervenção esteve precisamente na preservação da estrutura original do imóvel, composta maioritariamente por paredes estruturais, incluindo a própria fachada.
"A manutenção (desejada) da fachada obrigou à adoção de soluções técnicas específicas para reforçar o desempenho térmico e acústico do edifício, garantindo elevados níveis de conforto sem comprometer a identidade histórica", explica Pedro Barbas.
Outro momento particularmente exigente foi a criação da penthouse. A transformação da cobertura numa nova habitação exclusiva teve de respeitar as condicionantes urbanísticas e patrimoniais impostas pela localização em zona de proteção especial, conciliando preservação patrimonial, inovação técnica e qualidade arquitetónica.
A resposta do mercado confirma, para já, a estratégia seguida, e reflete “o forte interesse gerado pela combinação entre a localização privilegiada na Avenida da Liberdade, a qualidade da reabilitação arquitetónica e o carácter exclusivo do projeto”, assegura Pedro Barbas. A construção arrancou em junho e metade das unidades já se encontra comercializada, estando as vendas temporariamente suspensas nesta fase. A conclusão da obra está prevista para o primeiro trimestre de 2028, representando um investimento global de cerca de 20 milhões de euros.

Millennium bcp: um parceiro estratégico
Para a Adriparte, um projeto desta dimensão exigia também uma estrutura financeira sólida. Nesse contexto, Pedro Barbas destaca o papel desempenhado pelo Millennium bcp, parceiro habitual da empresa.
"O Millennium bcp revelou-se um parceiro fundamental para a materialização deste projeto, não apenas pelas condições financeiras competitivas que apresentou, mas também pela qualidade e agilidade da equipa durante todo o processo de avaliação e aprovação", afirma. O responsável sublinha ainda que a relação se pautou por "uma cultura de exigência e profissionalismo, mas também por espírito de colaboração e proximidade na procura das soluções mais adequadas às nossas necessidades".
Na perspetiva do promotor, a associação ao banco trouxe igualmente um reforço de credibilidade junto do mercado e dos compradores. "Sentimos também que beneficiamos da associação do projeto a uma marca reputada e com o prestígio do Millennium bcp, especialmente junto dos nossos clientes."
A empresa destaca ainda a importância de o empreendimento ser também elegível para financiamento através do IFRRU 2020 – Second Cycle. Além da vantagem financeira num contexto de maior incerteza económica e geopolítica, Pedro Barbas considera que este instrumento funciona também "como um importante guia orientador para o alinhamento com as melhores práticas e políticas públicas em matéria de reabilitação urbana e eficiência energética."


