Arrendar casa por menos de 1.000 euros ainda é possível em 31 municípios de Portugal

29/07/2026
Arrendar casa por menos de 1.000 euros ainda é possível em 31 municípios de Portugal

Em 31 dos 50 municípios mais procurados para arrendar casa em Portugal, segundo um estudo do portal idealista, é possível encontrar rendas medianas inferiores a 1.000 euros mensais. Este resultado confirma uma alteração gradual no mapa da procura. Concelhos do Alentejo, Trás-os-Montes e das Beiras registam agora níveis de procura suficientes para integrarem o top 50 nacional, desafiando o tradicional domínio das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Esta dispersão da procura sugere que cada vez mais famílias e profissionais desejam alternativas mais acessíveis, longe dos preços elevados das grandes cidades.

Arredores sentem o peso dos preços

Apesar de Lisboa continuar a concentrar uma forte procura, o próprio município já não figura no ranking dos 50 mais procurados – um sinal evidente do impacto dos valores elevados na sua atratividade relativa. A Amadora ocupa a primeira posição da lista, seguida da Trofa e Vila Franca de Xira.

Os municípios periféricos do distrito de Lisboa continuam a dominar os lugares cimeiros, mas o impacto da pressão exercida pelos preços da capital é cada vez mais visível. Apenas Alenquer (983 euros/mês, 9.º lugar) e Azambuja (938 euros/mês, 14.º lugar) conseguem manter-se abaixo dos 1.000 euros. Os restantes ultrapassam largamente essa barreira.

No distrito do Porto, oito concelhos integram o top 50 dos mais procurados para arrendar casa. A Trofa destaca-se no segundo lugar nacional com uma renda mediana de apenas 863 euros/mês – uma combinação rara de elevada procura e preços relativamente acessíveis. Outros nomes do Norte que se mantêm abaixo do limiar dos mil euros são Marco de Canaveses (675 euros), Felgueiras (679 euros), Amarante (830 euros), Paredes (894 euros), Valongo (910 euros) e Gondomar (976 euros). Apenas Santo Tirso (1.061 euros) ultrapassa essa marca no distrito.

Interior ganha expressão e atrai procura

O dado mais relevante deste trimestre é o avanço dos concelhos do interior. Pinhel (Guarda, 650 euros/mês, 10.º lugar), Moura (Beja, 600 euros/mês, 15.º lugar), Campo Maior (Portalegre, 454 euros/mês, 20.º lugar) e Mirandela (Bragança, 558 euros/mês, 21.º lugar) surgem na primeira metade do ranking com valores muito competitivos.

Miranda do Douro, no distrito de Bragança, detém o recorde das rendas mais baixas de todo o top 50: 425 euros mensais, ocupando o 34.º lugar. Seguem-se Campo Maior (454 euros, 20.º lugar) e Aguiar da Beira (Guarda, 500 euros, 39.º lugar). Estes três municípios ilustram bem como a procura se estende hoje a diferentes regiões do interior.

Os mais caros entre os mais procurados

Entre os municípios que integram o ranking dos 50 mais procurados, Sintra apresenta a renda mediana mais elevada, com 1.651 euros mensais, ocupando o 7.º lugar da classificação. Demonstrando que a procura se mantém robusta mesmo em zonas caras, seguem-se Almada (1.589 euros, 18.º), Seixal (1.500 euros, 24.º lugar), Montijo (1.475 euros, 26.º lugar), Arruda dos Vinhos (1.466 euros, 19.º lugar) e Odivelas (1.397 euros, 8.º lugar).

A entrada significativa de concelhos do interior no ranking dos mais procurados não resulta de um fenómeno isolado, mas poderá refletir fatores como a saturação e o encarecimento das regiões metropolitanas, o crescimento do trabalho remoto e a procura por uma melhor qualidade de vida em localidades com custos mais moderados.

Se, por um lado, as rendas abaixo dos 1.000 euros em 31 dos 50 municípios mais pesquisados representam uma alternativa para quem procura habitação a preços mais acessíveis, por outro evidenciam uma redistribuição gradual da procura pelo território nacional.

Os dados relativos ao segundo trimestre de 2026 mostram que o mapa do arrendamento em Portugal está a tornar-se mais diversificado. Apesar de Lisboa e Porto continuarem a concentrar uma parte importante da procura, cresce o interesse por municípios do interior e por concelhos fora das grandes áreas metropolitanas, uma tendência que poderá ganhar ainda mais expressão nos próximos trimestres caso se mantenham as atuais diferenças de preços entre as várias regiões do país.