A Promiris é hoje um dos promotores internacionais mais ativos em Portugal. O que motivou a sua entrada no país e como o avalia hoje enquanto destino de investimento imobiliário?
A Promiris entrou em Portugal em 2017, identificando um mercado com estabilidade, procura crescente e forte dinâmica urbana nas cidades de Lisboa e Porto. O país evoluiu de forma consistente, afirmando-se como destino competitivo para investimento imobiliário, com progressão de preços e elevada atratividade internacional.
Este enquadramento reforça a decisão de consolidar a nossa presença no território nacional, atualmente materializada em 11 projetos — seis concluídos e cinco em desenvolvimento. Paralelamente, mantemos operações na Bélgica e em Espanha, totalizando um investimento a rondar os 250 milhões de euros.
Como avalia o atual momento do mercado imobiliário português? Quais são as principais oportunidades e os maiores desafios que identifica hoje?
Vive um momento de ajustamento, mas mantém robustez. As maiores oportunidades surgem em projetos bem localizados, produtos de qualidade – habitação e alojamento estudantil, onde a procura é estrutural. Os desafios permanecem: custos de construção, prazos de licenciamento e necessidade de maior previsibilidade regulatória.
Que projetos melhor refletem a estratégia da Promiris em Portugal?
A Promiris desenvolve atualmente três projetos residenciais de referência: Gaia Hills e Quadra, localizados na área metropolitana do Porto, em Vila Nova de Gaia, e Nuance, em Lisboa.
O Gaia Hills, em parceria com a Thomas & Piron, com um total de 210 apartamentos, constitui o empreendimento de maior escala e carácter emblemático da empresa, que se espraia na margem do rio Douro, presentando um desempenho comercial particularmente robusto, com 90% de vendas na Fase 1 e 60% na Fase 2.
Os projetos Quadra (120 unidades, 92% vendido) e Nuance (27 unidades, 95% comercializado) evidenciam a capacidade da Promiris em promover reconversão urbana qualificada e interpretar corretamente as tendências de mercado, reforçando a aposta em produtos residenciais diferenciados e alinhados com a procura efetiva.
A Promiris concluiu igualmente os empreendimentos residenciais Miradouro (Antas, Porto), Bivar e Conde Lima (Lisboa), todos finalizados e integralmente comercializados, demonstrando consistência na execução e entrega.
No segmento de residência de estudantes, os empreendimentos Odalys Porto Asprela, Odalys Porto Granjo e Odalys Lisboa Belém consolidam a posição da Promiris num mercado alternativo em forte expansão, caracterizado por elevada absorção e estabilidade operacional. Estes ativos ilustram a abordagem multiativo da empresa.
Onde vê maior potencial de crescimento no imobiliário português?
A habitação continuará a liderar o crescimento, sobretudo em áreas metropolitanas e zonas de expansão urbana. O alojamento estudantil ainda mantém potencial de crescimento em cidades com cariz académico, dada a insuficiência de oferta e o aumento da procura. Geograficamente, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto continuarão centrais, mas cidades como Coimbra, Aveiro e Braga ganham relevância.
Como imagina Portugal no mapa do investimento imobiliário europeu dentro de cinco a dez anos e que papel quer a Promiris ter nessa história?
Portugal tem condições para se afirmar como um dos mercados residenciais mais estáveis da Europa, com crescente profissionalização e forte procura internacional. A Promiris pretende reforçar o seu papel como promotor internacional ativo, aumentando a rotação de ativos e a eficiência operacional. Queremos ser parte relevante da consolidação do mercado português.
Num contexto de grandes transformações (sustentabilidade, habitação acessível, reabilitação urbana, impacto das novas regras europeias), como se posiciona a Promiris e o que espera vir a diferenciar a empresa?
A sustentabilidade é hoje um eixo central da nossa atuação, integrando eficiência energética, materiais sustentáveis e soluções de mobilidade desde a fase de conceção. A reabilitação urbana continuará a ser importante, mas coexistirá com projetos de raiz que respondem à procura por novas tipologias e maior eficiência construtiva. A experiência em reconversões demonstra que sabemos atuar nos dois modelos. As novas regras europeias reforçam a necessidade de processos de gestão mais exigentes e de reposta mais efetiva face às necessidades de mercado.
O que falta fazer para resolver a crise da habitação de forma sustentável?
Não existe uma solução única ou imediata. Contudo, uma resposta sustentável exige a aceleração dos processos administrativos e de licenciamento, a criação de um enquadramento fiscal estável e previsível e o reforço de modelos de parceria público‑privada que permitam desenvolver habitação acessível sem comprometer a viabilidade dos projetos. A aplicação seletiva de taxas de IVA reduzidas, já utilizada noutros mercados europeus, pode constituir um instrumento relevante para estimular a produção de nova habitação em segmentos críticos.
A regulação do setor tem vindo a intensificar-se: licenciamento, fiscalidade, arrendamento. Como avalia o quadro regulatório atual e o que mudaria para tornar Portugal mais competitivo como destino de investimento imobiliário?
O quadro regulatório português tem evoluído, mas continua complexo e moroso. A competitividade depende de maior previsibilidade e simplificação. A digitalização integral dos processos, estabilidade fiscal e prazos mais eficientes seriam determinantes.
A reabilitação urbana continua a ser uma grande prioridade ou o foco está a deslocar-se para projetos de raiz? O que acha que deve prevalecer nos próximos anos?
A reabilitação urbana e os projetos de raiz são ambos necessários, com funções distintas. A reabilitação revitaliza centros urbanos e preserva património; os projetos de raiz permitem responder à procura por novas tipologias, maior eficiência energética e escala. Nos próximos anos, veremos uma convivência dos dois modelos, com maior peso dos projetos de raiz nas zonas de expansão e reabilitação concentrada nos centros metropolitanos.
Com a entrada de vários promotores internacionais em Portugal, como tem evoluído a concorrência e o que distingue realmente os players que conseguem ter sucesso?
A concorrência internacional aumentou, tornando o mercado mais profissional. Os players que têm sucesso combinam capacidade financeira, rapidez de execução, equipas locais fortes e estratégia clara. A Promiris diferencia-se pela abordagem multipaís, multiativo e multitalento, com equipas especializadas. A disciplina operacional é um fator positivo na nossa estrutura.
Qual é o papel que a sustentabilidade e a descarbonização vão ter no imobiliário português nos próximos anos? É um custo ou uma oportunidade de valorização?
A sustentabilidade e a descarbonização são uma oportunidade de valorização. Os consumidores valorizam edifícios eficientes, e os investidores procuram ativos com melhor desempenho energético e menor risco regulatório. A descarbonização não é apenas uma exigência normativa: é um fator de competitividade, que melhora liquidez, valorização e reduz custos operacionais ao longo do ciclo de vida.


