O segmento de living continua a destacar-se como o principal destino das intenções de financiamento imobiliário na Europa. A conclusão consta do European Lender Intentions Survey 2026, da CBRE, que analisa as expectativas e preferências dos financiadores para os diferentes segmentos do mercado imobiliário europeu.
Segundo o estudo, o living mantém a liderança das preferências dos financiadores, à frente dos ativos industriais e logísticos, enquanto os escritórios recuperam protagonismo e ocupam agora o terceiro lugar entre os setores mais atrativos para novas operações de crédito.
Escritórios recuperam interesse
Os data centers continuam igualmente a merecer atenção crescente. Embora permaneçam como a principal escolha apenas para um grupo mais restrito de investidores, o sentimento em relação a este segmento reforçou-se significativamente, refletindo-se no aumento dos rácios de Loan-to-Value (empréstimo/valor) praticados nas novas operações de financiamento face ao ano anterior.
A recuperação do segmento de escritórios constitui uma das principais conclusões do inquérito. Depois de ocuparem a sexta posição na edição de 2025, estes ativos sobem agora para o terceiro lugar no ranking europeu das preferências dos financiadores. Entre os bancos, a confiança é ainda maior: os escritórios surgem como a segunda classe de ativos mais atrativa, apenas superada pelo living, evidenciando uma renovada confiança nos seus fundamentos e na qualidade dos melhores ativos.
Setores alternativos reforçam atratividade
O estudo evidencia igualmente o crescente interesse pelos chamados setores alternativos. Segmentos como co-living, residências de estudantes, habitação acessível, unidades de cuidados de saúde, residências para seniores e self-storage continuam a ganhar peso nas estratégias de financiamento.
Atualmente, 86% dos financiadores admitem conceder crédito a pelo menos um destes segmentos, um aumento de cinco pontos percentuais face ao estudo anterior. Os bancos revelam maior preferência pelos diferentes segmentos ligados ao living, enquanto os financiadores não bancários demonstram maior abertura para apoiar um leque mais alargado de ativos alternativos.
Liquidez mantém-se elevada
Apesar das incertezas macroeconómicas que continuam a marcar a Europa, o mercado da dívida imobiliária mantém níveis elevados de liquidez.
O estudo mostra que 72% dos financiadores pretendem aumentar a atividade de concessão de novos empréstimos ao longo dos próximos meses, sinalizando um ambiente favorável para novas operações e investimentos.
Tendência também se faz sentir em Portugal
Em Portugal, a evolução acompanha a tendência observada a nível europeu, embora o mercado continue fortemente marcado pelo financiamento ao setor residencial.
Segundo Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, “em Portugal é notória a tendência de maior sofisticação e diversificação das operações de financiamento no setor imobiliário, apesar da indisputável prevalência do financiamento ao setor residencial. Existem hoje muito mais alternativas ao financiamento bancário tradicional por parte dos fundos de dívida, que ganham terreno e consolidam a sua presença pela maior rapidez, flexibilidade e maior capacidade para assumir o risco".
O responsável destaca ainda que o interesse dos financiadores se tem vindo a alargar a outros segmentos do mercado.
"Tem aumentado consideravelmente nos últimos anos o interesse em financiar outros setores do imobiliário além do residencial, do retalho e dos escritórios, com especial destaque para as residências de estudantes, a logística e a hotelaria. Tal como na Europa, o segmento de escritórios tem vindo a recuperar o interesse da banca, sobretudo em ativos Core e Core+ bem localizados, enquanto os setores de logística e retalho evidenciam maior seletividade", acrescenta.
O European Lender Intentions Survey 2026 foi realizado entre 18 de março e 28 de abril de 2026, com a participação de 134 financiadores de vários mercados europeus.


