Este valor traduz uma redução de 4,6% face ao mesmo período de 2025, correspondendo a menos 944 constituições. Apesar de um arranque positivo em janeiro, os três meses seguintes registaram quedas sucessivas nos valores acumulados homólogos, revelando uma desaceleração no ritmo de criação de empresas a nível nacional.
Na análise por setores de atividade, a maioria registou descidas no número de novas empresas criadas. Contudo, dois setores destacam-se positivamente: a Construção e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
Setores em destaque
O setor da Construção registou um crescimento de 7,7% (+203 constituições), consolidando uma tendência ascendente que se verifica de forma contínua desde 2020. Este dinamismo reflete a forte procura por habitação nova que se registou, o aumento dos projetos de reabilitação urbana e ainda a existência de diversas oportunidades de negócio num mercado em expansão. Fatores como a recuperação económica, os fundos europeus e as necessidades habitacionais das famílias têm contribuído para esta performance positiva.
Já as TIC cresceram 8,4% (+112 constituições), impulsionadas sobretudo pelo desenvolvimento das atividades de informática, programação e consultoria tecnológica, áreas que continuam a atrair empreendedores devido à transformação digital da economia portuguesa.
Recuos pronunciados
Em contraste, vários setores apresentaram recuos acentuados. O maior declínio verificou-se na Agricultura e outros recursos naturais (-37%; -283 constituições). Dentro deste setor, a Agricultura e pecuária caiu 42% (-285 empresas), com particular incidência nos distritos de Beja, Braga e Viseu, nas atividades de produções agrícolas e animais combinadas e olivicultura.
Também com quebras significativas surgem o Retalho (-13%; -226 constituições) e os Transportes (-15%; -217 constituições), setores que enfrentam desafios relacionados com a inflação, custos operacionais elevados em grande parte resultantes dos preços dos combustíveis e alterações nos padrões de consumo.
Encerramentos de empresas em forte redução
No que respeita ao encerramento de empresas, os dados provisórios de 5 de maio de 2026 indicam que, entre janeiro e abril, cessaram atividade 3.736 empresas. Este número representa uma descida muito significativa de 24% (-1.165 encerramentos) face ao período homólogo anterior.
Numa perspetiva mais alargada, no acumulado dos últimos 12 meses (maio de 2025 a abril de 2026), encerraram 14.298 empresas, o que corresponde a uma redução de 8,7% (-1 356) em relação ao período precedente. Esta análise de 12 meses é considerada mais fiável, pois minimiza os desfasamentos temporais entre a data efetiva de dissolução e a publicação oficial no registo comercial.
Duas exceções em destaque
A redução de encerramentos foi generalizada na maioria dos setores e regiões do continente, com destaque para o Retalho (-16%; -342 encerramentos). No entanto, algumas atividades específicas registaram aumentos: o Retalho não especializado por correspondência ou via Internet mais do que triplicou (+228%; +114 encerramentos), enquanto a Fabricação de calçado aumentou 37% (+33 encerramentos).
Insolvências invertem tendência e sobem quase 8%
Ao nível das insolvências, verifica-se uma inversão da tendência descendente observada em 2025: só nos primeiros quatro meses de 2026 foram abertos 701 novos processos de insolvência, mais 7,8% (+51) do que no período homólogo.
Este agravamento veio afetar mais de metade dos setores de atividade: a Construção registou um aumento de 28% (+20 insolvências), enquanto as Indústrias cresceram 14% (+20), com particular relevo para a Indústria Têxtil e Moda (+21%; +14 insolvências). Estes dados sugerem que, apesar do crescimento no número de novas empresas, alguns negócios enfrentam dificuldades de sustentabilidade.
No geral, o Barómetro da Informa D&B revela um tecido empresarial em ajustamento, com setores resilientes (como a Construção e as TIC) a contrabalançarem as dificuldades sentidas noutros domínios da economia portuguesa.


