Habitação: queda nos arrendamentos e novo máximo nos preços de compra em abril

20/05/2026
Habitação: queda nos arrendamentos e novo máximo nos preços de compra em abril

De acordo com os mais recentes dados do índice de preços do idealista, o mercado imobiliário português apresentou, em abril, dinâmicas opostas consoante o segmento analisado. Enquanto os preços das casas para arrendar registaram uma descida homóloga, os valores de compra continuaram a bater recordes, refletindo a complexidade do setor habitacional no país.

No segmento do arrendamento, os preços desceram 2,7% em abril face ao mesmo mês do ano anterior. No final do mês, o valor mediano de uma casa para arrendar situava-se nos 16,4 euros por metro quadrado (euros/m²). Este valor afasta-se do máximo histórico de 17 euros/m² registado em outubro de 2025, sinalizando uma inversão de tendência que se tem consolidado nos últimos meses.

Uma sequência de descidas

A descida observada em abril integra uma sequência de variações negativas: -1,9% em janeiro, -1,4% em fevereiro e -1,2% em março. Esta evolução trimestral sugere que o mercado de arrendamento começa a dar sinais de maior acessibilidade após anos de forte pressão sobre os inquilinos. Diversos fatores podem contribuir para esta acalmia, desde o aumento da oferta (resultado de novos projetos concluídos ou de proprietários que optam por colocar imóveis no mercado de arrendamento face às dificuldades na venda), até eventuais impactos de medidas legislativas recentes no setor.

Apesar da descida homóloga, importa sublinhar que os valores permanecem elevados em termos históricos, mantendo o arrendamento como uma opção desafiante para muitas famílias portuguesas, especialmente nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto, onde a concentração de procura continua elevada.

Compras com tendência ascendente

Os preços das casas em Portugal subiram 10,8% em abril face ao mesmo mês de 2025. O valor mediano atingiu os 3.121 euros por metro quadrado, um novo máximo histórico que se verifica pelo sexto mês consecutivo. Em termos trimestrais, os preços aumentaram 2,4%, demonstrando que o ritmo de crescimento, embora mais moderado do que o registado em alguns períodos anteriores, continua robusto.

Esta subida sustentada reflete a forte procura por aquisição de habitação própria, alimentada por condições de financiamento ainda acessíveis (apesar das taxas de juro), pela perceção de que o imobiliário constitui um refúgio seguro face à inflação e pela entrada de investidores internacionais atraídos pelo potencial de valorização.

A combinação destes dois movimentos — descida nos arrendamentos e subida acentuada nos preços de compra — gera um cenário paradoxal. Por um lado, quem pretende arrendar pode começar a encontrar ligeiras oportunidades de alívio; por outro, quem deseja comprar enfrenta barreiras de acesso cada vez maiores, com o preço por metro quadrado a ultrapassar os 3.100 euros a nível nacional.

Esta dualidade pode estar a influenciar o comportamento dos agentes do mercado. Alguns proprietários, perante a dificuldade de venda a preços elevados ou face a custos de manutenção crescentes, optam por arrendar, contribuindo para o aumento da oferta neste segmento. Simultaneamente, a procura por compra mantém-se elevada junto de famílias com maior capacidade financeira e de investidores.

Perspetivas para os próximos meses

Embora os dados de abril mostrem tendências claras, a evolução futura dependerá de vários fatores: o comportamento das taxas de juro pelo Banco Central Europeu, o impacto efetivo das medidas governamentais no arrendamento (como o programa de arrendamento acessível ou alterações fiscais), o ritmo de construção de nova habitação e a evolução da economia portuguesa, nomeadamente ao nível do emprego e dos salários.

Para as famílias portuguesas, o quadro atual reforça a importância de uma análise cuidada. Quem procura casa para arrendar deve monitorizar os valores mensalmente, aproveitando a atual fase de descida. Quem pretende comprar enfrenta um mercado mais exigente, onde a negociação e a escolha criteriosa da localização e do tipo de imóvel assumem maior relevância.

Em síntese

O relatório do idealista de abril revela um mercado imobiliário bipolarizado: mais favorável aos inquilinos no curto prazo, mas cada vez mais desafiante para quem ambiciona a aquisição de habitação própria. A tensão entre estes dois segmentos continuará a marcar o debate sobre a política de habitação em Portugal nos próximos tempos.