Considerado um refúgio seguro em tempos de instabilidade global — agora agravada pelo conflito no Médio Oriente —, Portugal continua a atrair a atenção de famílias e investidores estrangeiros, sobretudo nas grandes cidades.
Em 2025, os não residentes adquiriram 8.471 habitações, o que representa uma quebra de 13,3% face ao ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Esta redução reflete as alterações legislativas e fiscais implementadas nos últimos anos, nomeadamente o fim dos vistos gold para investimento imobiliário, a substituição do regime dos residentes não habituais por um modelo mais restritivo (registado durante o executivo de António Costa) e a entrada em vigor da nova lei dos estrangeiros do atual Governo da Aliança Democrática, liderado por Luís Montenegro. A estas medidas junta-se a revisão da lei da nacionalidade, que ainda terá de ser analisada pelo Presidente da República, António José Seguro.
Procura mantém-se intensa
Apesar da redução nas transações concretizadas, a procura online a partir do estrangeiro por casas à venda em Portugal mantém-se robusta. Os dados do idealista/data relativos ao primeiro trimestre de 2026 revelam que as visitas internacionais aos anúncios de imóveis representam valores de dois dígitos na maioria das 20 grandes cidades analisadas (com exceção de Évora). Ou seja, mesmo com menos compras finalizadas, estrangeiros, emigrantes e investidores continuam a manifestar forte interesse pelo mercado residencial português, visto como uma aposta estável num contexto de turbulência internacional.
Regiões autónomas na frente
As regiões autónomas lideram o ranking da procura estrangeira. No Funchal, 30% das visitas aos anúncios de casas provêm do estrangeiro, seguido de Ponta Delgada, com 27%. Valores próximos dos 20% registam-se também em Viana do Castelo, Faro, Bragança e Castelo Branco. No Porto, o peso das visitas internacionais atinge os 15%, enquanto em Lisboa representa 13%. Nas cidades com menor atratividade externa — Évora, Santarém, Beja e Coimbra — este valor situa-se entre os 9% e os 11%.
Em todas as localidades analisadas, a procura continua a ser maioritariamente nacional (por portugueses, imigrantes ou nómadas digitais), mas o contributo estrangeiro mantém-se significativo.
EUA e Reino Unido lideram a procura
Os Estados Unidos e o Reino Unido destacam-se como as principais origens da procura internacional, ocupando o primeiro lugar em 12 das 20 grandes cidades (seis cada). Os EUA lideram as visitas em Ponta Delgada (35%), Aveiro (15%), Braga, Lisboa, Coimbra e Évora (14% do total internacional em cada uma). Já o Reino Unido surge em primeiro lugar no Funchal, Faro, Castelo Branco, Setúbal, Beja e Santarém.
A França domina a procura em Viana do Castelo, Bragança, Guarda e Leiria, enquanto no Porto e Portalegre, é a Espanha que lidera, mas em Viseu e Vila Real já é a Suíça que se destaca.
Em Lisboa, a maior maior manifestação de interesse vem dos EUA (14%), seguida de Espanha (11%) e França (10%). No Porto, a Espanha lidera com 18%, seguida dos EUA (14%) e França (10%).
Tendência vincada
Uma tendência comum é que, nas 20 cidades analisadas, os três principais países de origem representam, em média, mais de um terço do total das visitas estrangeiras aos anúncios de imóveis no idealista.
Este cenário demonstra que, apesar das alterações políticas e fiscais dos últimos anos, Portugal continua a ser percecionado como um destino atrativo para quem procura qualidade de vida, segurança e uma boa relação qualidade-preço no mercado imobiliário.


