Numa malha urbana consolidada, marcada pela construção das décadas de 70 e 80, nasce em Algés um projeto que se apresenta como uma exceção: o Lugar. Um condomínio privado no centro da vila, pensado para responder a uma forma de viver cada vez mais valorizada: com lugar para descansar e crescer e com lugar para o carro.
Entre Lisboa, o rio Tejo e o mar, este empreendimento aposta numa arquitetura simples, onde a luz natural, a eficiência energética e a funcionalidade assumem um papel central. Numa localidade onde estacionar é um desafio constante, a existência de garagem privada para todas as frações do Lugar surge como um dos elementos distintivos num bairro tradicional, com forte vida de rua, comércio local, cafés, restaurantes, um mercado municipal e serviços que permitem fazer o quotidiano a pé.
Um refúgio dentro da dinâmica urbana
Promovido pela Reabilita, o projeto afirma-se como uma espécie de refúgio dentro da dinâmica urbana. “É como uma bolsa que protege e oferece bem-estar”, descreve Tomás Champalimaud, administrador da promotora imobiliária, sublinhando o contraste entre a agitação exterior e a tranquilidade interior do condomínio. Entre as comodidades, destacam-se a piscina comum aquecida na cobertura, com vista para o rio, espaços comuns acessíveis, todos os lugares de estacionamento com carregadores elétricos, um bicicletário com tomadas, que incentiva alternativas de mobilidade, e múltiplas ligações ao tecido urbano, seja a pé, de bicicleta ou através de transportes públicos.
Localizado entre a Avenida da República 84, a Rua dos Anjos e a Rua dos Combatentes da Grande Guerra, o projeto distribui 18 apartamentos de tipologias T0 a T3 por dois edifícios, o Bloco A e o Bloco B. As frações foram pensadas para um uso quotidiano confortável, com varandas e terraços generosos, cozinhas totalmente equipadas, ar condicionado, isolamento térmico e acústico, vidros eficientes e piso radiante nas casas de banho. “Acabamentos modernos e práticos, daqueles que podem passar despercebidos por serem tão naturais”, resume o promotor. O posicionamento é assumidamente residencial familiar, com preços entre os 400 mil e 1 milhão de euros.

Sustentabilidade abordada de forma pragmática
O projeto arquitetónico é assinado por Paulo Fernandes, do atelier Cónica Arquitectura, com uma forte participação da equipa da Reabilita no desenvolvimento de interiores, soluções e acabamentos. A filosofia é clara: “Bom senso para termos um edifício bonito, em que os espaços cumpram o programa e o uso que lhes vai ser dado”. A escolha de materiais segue a mesma lógica, “com materiais reais, sem imitações, de qualidade equilibrada e sem luxos desnecessários.”
No Lugar a sustentabilidade foi tida em linha de conta de forma pragmática. “É essencial utilizarmos com inteligência os recursos à nossa disposição, seja o capital, materiais e pessoas”, explica o promotor, defendendo que essa abordagem permite alcançar um equilíbrio entre custo, qualidade e longevidade do projeto. Assim, a aposta passou por soluções passivas e eficientes: sistema ETICS robusto com minimização de pontes térmicas, ventilação natural cruzada e renovação de ar semi-passiva nos apartamentos, ventilação passiva da garagem, bombas de calor para águas quentes sanitárias e climatização, e materiais reciclados, como pedra reciclada nas bancadas de cozinha. E sempre que possível, são privilegiados fornecedores nacionais.
Mercado reage de forma positiva
O mercado tem reagido de forma positiva ao Lugar. “Após duas semanas de lançamento, temos cerca de 30% do empreendimento reservado”, revela o promotor, atribuindo este desempenho ao caráter singular do projeto, sem concorrência direta na zona. De resto, sublinha, trata-se de uma resposta a uma ausência prolongada de oferta: “No centro de Algés não havia praticamente construção nova há mais de 40 anos”.
Com conclusão prevista para o quarto trimestre de 2027 e um investimento de nove milhões de euros, o empreendimento não esteve isento de obstáculos. “O licenciamento foi um verdadeiro calvário”, admite a Reabilita. Quando adquiriu o projeto, este já acumulava cerca de cinco anos de processo, faltando apenas uma correção final que acabou por demorar mais de um ano até à emissão da licença de obra. A execução também apresenta desafios, nomeadamente pela localização numa zona consolidada, com acessos difíceis e forte ocupação do espaço público.

Millennium bcp apoia o desenvolvimento deste projeto
O financiamento conta com o apoio do Millennium bcp, numa relação já consolidada. “Foi mais um voto de confiança da equipa de desenvolvimento imobiliário do banco, que já há 15 anos nos acompanha com vários projetos de sucesso em carteira”, refere a Reabilita, acrescentando: “Também acreditamos que os nossos clientes sentem uma confiança renovada ao saberem que temos uma reputada instituição como o Millennium bcp a apoiar-nos enquanto promotores.”
Por fim, a Reabilita deixa uma reflexão mais ampla sobre o setor imobiliário: “O uso inteligente de recursos é importante para termos casas para todos”. Na sua perspetiva, o excesso de burocracia e exigências regulamentares têm dificultado a criação de soluções acessíveis. Como exemplo, aponta a obrigatoriedade de lugares de estacionamento por quarto, que pode acrescentar cerca de 100 mil euros ao preço por fração, mesmo em zonas bem servidas por transportes. “Além de onerosa, promove o uso do carro como transporte principal. É um erro que se arrasta descontextualizado”, conclui.


