O Grupo Omega celebra este ano 40 anos. O que destaca neste período em termos da aposta na inovação e criação de valor?
A Omega nasceu em 1986. Parece que foi ontem! Passo a passo, com avanços e recuos, foi consolidando a sua atividade, primeiro nos serviços de engenharia, depois no investimento imobiliário, diversificando áreas de negócio.
É reconhecido que, historicamente, as tecnologias do setor da construção sempre evoluíram de forma lenta, mas, primeiro com os sistemas digitais e, mais recentemente, com a chegada da IA, o mundo acelerou. Essa dinâmica está a instalar-se progressivamente no setor, pelo que é de esperar que os serviços de engenharia – projeto, fiscalização e gestão –, a construção civil em geral e a promoção imobiliária em particular venham a beneficiar positivamente com as mudanças em curso e com a subsequente criação de valor.
A inovação nunca foi para nós um objetivo de moda, mas uma ferramenta de eficiência. A digitalização, o BIM e, mais recentemente, a inteligência artificial estão já a transformar os nossos processos internos de projeto, coordenação e gestão.
Na promoção imobiliária, a nossa preocupação constante é adotar soluções com novos modelos construtivos, sustentáveis e eficientes do ponto de vista energético e do conforto acústico e térmico.
Chegar aos 40 anos num setor sujeito a ciclos tão frequentes como é o setor da construção, talvez seja o melhor indicador da nossa capacidade de adaptação. Mudaram as tecnologias, mudaram os mercados, mudaram os clientes, mas mantivemos a preocupação: criar valor duradouro.
Que projetos marcaram a atividade do Grupo Omega?
O grupo tem, como já foi referido, a sua atividade dividida entre os serviços de engenharia – projeto, fiscalização e gestão de empreendimentos – e o investimento imobiliário.
Nos serviços de engenharia estamos focados num conjunto vasto de projetos de construção de edifícios habitacionais, boa parte deles internos ao grupo e outra parte externos.
No investimento imobiliário, temos atualmente quatro empreendimentos habitacionais em construção na Área Metropolitana do Porto destinados ao segmento médio, que no seu conjunto totalizam um pouco mais de cem apartamentos. Brevemente lançaremos outros tantos projetos, que reforçarão a nossa presença neste segmento, onde continuamos a identificar uma procura sólida.
Na área da hotelaria mantemos uma presença mais seletiva, pelo que concentramos os nossos recursos sobretudo no segmento residencial, onde identificamos atualmente maiores oportunidades de crescimento.
Como se encontra a atividade nos mercados internacionais?
A nossa estratégia de internacionalização sempre privilegiou uma presença preferencial nos mercados dos PALOP, onde acumulámos experiência e conhecimento local ao longo dos anos.
Considerando, porém, a nossa dimensão e cultura empresarial, tomamos nesta fase a decisão de concentrar a maior parte dos nossos recursos no mercado nacional, onde encontramos atualmente condições muito favoráveis ao investimento e ao crescimento das nossas operações.
Mantemos, ainda assim, uma frente com investimento imobiliário no Nordeste brasileiro, ao passo que a nossa presença africana encontra-se neste momento com uma expressão residual.

As comemorações dos 40 anos são também uma oportunidade para reconhecer colaboradores, parceiros e clientes que fizeram parte deste percurso
As pessoas são o melhor ativo das empresas. Como são “celebradas” as pessoas no Grupo Omega?
Os 40 anos do grupo são sobretudo o resultado do trabalho e dedicação das pessoas que connosco construíram este percurso. Procuramos valorizá-las diariamente através da estabilidade, da formação contínua, de um ambiente de proximidade e de condições que favoreçam o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
As comemorações dos 40 anos são também uma oportunidade para reconhecer colaboradores, parceiros e clientes que fizeram parte deste percurso. Muitas das pessoas que hoje lideram áreas do grupo cresceram profissionalmente connosco ao longo de décadas.
Como vê o atual momento do imobiliário e da construção?
É reconhecido que, quer o negócio imobiliário, quer a construção que lhe está associada, têm tido, nos anos pós-Troika e até aos dias de hoje, um bom desempenho.
Na nossa opinião, pese embora se mantenham os principais fatores-chave responsáveis por essa dinâmica, nomeadamente a forte procura de habitação e a disponibilidade para o crédito das instituições bancárias, algumas preocupações existem, sobretudo no que diz respeito aos aumentos muito significativos dos custos de produção das habitações e ao possível aumento das taxas de juro nos empréstimos à habitação.
Se, no que às taxas de juro diz respeito, para já não se verificam grandes alterações, o mesmo não se pode dizer quanto aos custos diretos e indiretos da construção. Sendo a estrutura que constitui estes últimos muito complexa, mas já amplamente estudada por diversas entidades, entendemos que a falta acentuada de mão de obra, o aumento dos custos das matérias-primas e dos terrenos e os tempos longos de todo o ciclo dos empreendimentos imobiliários
são fatores decisivos para os elevados preços da habitação nova e para a reduzida oferta disponível. O desafio é produzir habitação a preços compatíveis com o rendimento das famílias.
Considera que estão a ser tomadas as medidas corretas para o bom funcionamento do imobiliário?
É um tema de resposta difícil. Os partidos políticos têm trazido, e bem, para o debate público o tema da habitação. A sociedade civil, as universidades, as empresas, os técnicos e as associações profissionais têm correspondido a esse desafio com participações permanentes e ativas sobre o tema.
E os últimos governos, com o seu papel de liderança, em geral têm produzido abundante legislação em matéria de fiscalidade e procedimentos de licenciamento. São disso exemplo as alterações ao RJUE (Simplex, já com duas versões) e, mais recentemente, a legislação sobre o IVA na construção.
Pensamos que, no seu conjunto, essas medidas, desde que devidamente articuladas entre si, mais cedo ou mais tarde terão um efeito positivo nos custos e na oferta de habitação.
Mas tão importante como produzir nova legislação é garantir estabilidade, previsibilidade e uma aplicação uniforme das regras em todo o território.
Para a próxima década, que sonhos quer ainda concretizar?
Estar vivo, ser feliz e ver o grupo crescer, consolidar-se e atravessar com sucesso a mudança geracional. Se daqui a dez anos continuarmos a criar valor para os clientes, para os colaboradores e para as cidades onde investimos, consideraremos esse objetivo plenamente alcançado.


