Mercado imobiliário comercial em Portugal com arranque robusto e positivo em 2026

13/05/2026
Mercado imobiliário comercial em Portugal com arranque robusto e positivo em 2026

O mercado imobiliário comercial em Portugal iniciou o ano de 2026 de forma particularmente forte. Segundo o relatório Market Dynamics, da JLL, o volume de investimentos atingiu os 930 milhões de euros no primeiro trimestre, o que representa um crescimento de 37% face ao período homólogo. Este desempenho coloca o trimestre entre os mais dinâmicos dos últimos anos e demonstra a resiliência do setor, apesar do contexto internacional de elevada incerteza geopolítica.

O investimento nacional ganhou peso, representando 42% do total (391 milhões de euros). Ainda assim, o capital estrangeiro manteve-se dominante, com 539 milhões de euros (58% do volume). Portugal continua a figurar entre os dez destinos europeus que são mais atrativos para o investimento imobiliário em 2026.

Duas das operações mais relevantes do período foram a venda do resort Ritz-Carlton Penha Longa e a aquisição do campus de data centres da Covilhã, ambas avaliadas em cerca de 120 milhões de euros cada. Estas transações ilustram o interesse dos investidores internacionais tanto por ativos prime tradicionais bem como por segmentos alternativos.

“Portugal tem um mercado com elevada capacidade de resiliência face a choques externos”

Carlos Cardoso, CEO da JLL Portugal, sublinha no relatório que “o início de 2026 demonstra que Portugal tem um mercado forte, diversificado e com fundamentos sólidos, que tem revelado uma elevada capacidade de resiliência face a choques externos”. O responsável nota que a incerteza internacional, associada aos conflitos no Médio Oriente e às suas repercussões na inflação e nas taxas de juro, impulsionou o investimento doméstico. No entanto, realça que “Portugal continua firmemente posicionado no radar do capital internacional”.

Por seu lado, Andreia Almeida, Head of Research da JLL, reforça as perspetivas otimistas: “Um inquérito recente da INREV, uma associação europeia de veículos de investimento, posiciona Portugal entre os dez destinos europeus preferidos para investimento imobiliário em 2026, com 41% dos investidores europeus e 30% dos não‑europeus a manifestarem intenção de alocar capital ao país. Isso abre perspetivas extremamente positivas para o restante do ano, no qual podemos também contar com a continuidade da forte atividade do investimento doméstico.” Além disso, “a crescente presença do capital nacional não é meramente conjuntural. Trata-se de uma tendência que se tem vindo a consolidar nos últimos dois anos, refletindo maior confiança, liquidez e sofisticação dos investidores portugueses”, afirma esta responsável.

Os setores em destaque

O retalho e a hotelaria concentraram mais de 70% do investimento. O retalho captou 340 milhões de euros (37%), impulsionado pela transação de um portefólio de centros comerciais e retail parks por 280 milhões de euros, que incluiu o GaiaShopping, ArrábidaShopping e Matosinhos Retail Park. A hotelaria registou 330 milhões de euros (36%), beneficiando da solidez da procura turística. Destacam-se a operação do Ritz-Carlton Penha Longa e a venda do InterContinental Porto – Palácio das Cardosas, assessorada pela JLL.

Os ativos de uso específico, nomeadamente data centres, representaram 14% do volume, confirmando a relevância crescente deste segmento. Os escritórios absorveram 59 milhões de euros, enquanto os restantes setores (industrial & logística, saúde e residencial) completaram cerca de 7%.

Mercados ocupacionais

Nos escritórios, verificou-se uma clara retoma. Em Lisboa, a absorção atingiu 28.910 m², um aumento de 80% no período homólogo. A procura orientou-se para imóveis de qualidade, refletindo um movimento de flight to quality. As rendas prime no CBD de Lisboa subiram para 32 €/m²/mês e a taxa de disponibilidade desceu para 7,8%. No Porto, a ocupação foi de 6.140 m² (+43%), com rendas prime nos 21 €/m²/mês.

O retalho mantém dinamismo, suportado por um crescimento de 5% nas vendas e por rendas prime históricas: 155 €/m²/mês no Chiado (Lisboa) e 90 €/m²/mês na Rua de Santa Catarina (Porto). Na hotelaria, apesar de uma ligeira descida na ocupação, o RevPAR (que podemos traduzir como Receita por Quarto Disponível) subiu para 62 euros, impulsionado pelo aumento da diária média para 120 euros.

No segmento industrial e logístico, a absorção abrandou para 65.100 m² (-16%), mas a escassez de oferta moderna continua a pressionar as rendas prime para cima, atingindo 7,00 €/m²/mês na Grande Lisboa. Tendências como o near-shoring e a necessidade de cadeias de abastecimento mais resilientes sustentam a procura estrutural.

No residencial, os preços mantiveram uma forte trajetória de valorização (+22,4% homólogo), com subidas de 17,4% em Lisboa e 15,3% no Porto. A oferta insuficiente continua a condicionar o mercado, apesar de sinais positivos no licenciamento e na construção.

Perspetivas para 2026

A JLL antecipa um ano globalmente positivo para o imobiliário português. Carlos Cardoso afirma: “As perspetivas para 2026 são globalmente muito positivas, apesar de um enquadramento internacional mais complexo. O investimento deverá manter um ritmo sólido, suportado por fundamentos robustos e interesse crescente em segmentos alternativos”.

Andreia Almeida conclui que os escritórios, a logística, o retalho, a hotelaria e o residencial apresentam oportunidades claras, nomeadamente no build-to-rent: “Portugal mantém-se como um mercado atrativo, resiliente e competitivo no panorama europeu, com condições para registar mais um ano forte em 2026.”