A edição de 2026 do SIMA – Salón Inmobiliario Internacional de Madrid, realizada entre 20 e 23 de maio na IFEMA, voltou a afirmar-se como um dos principais pontos de encontro do setor imobiliário europeu, reunindo mais de 21.000 visitantes, 8.500 profissionais e investidores e cerca de 350 expositores de mais de 35 países.
Mais do que uma feira tradicional, o evento consolidou-se como uma plataforma de negócios e reflexão estratégica, juntando promotores, investidores, operadores e decisores públicos num momento particularmente relevante para o mercado residencial europeu.
Um setor em transição para o living
Uma das principais conclusões do SIMA 2026 foi a transformação estrutural do setor imobiliário. O foco está a deslocar-se da promoção tradicional para venda para modelos centrados na operação e gestão de ativos, integrados no conceito mais amplo de living.
Esta tendência marcou a International Living Conference, que reuniu mais de 200 oradores para debater investimento, habitação acessível, inovação tecnológica e mercados internacionais. Segmentos como build-to-rent, senior living e soluções híbridas de habitação ganharam destaque, refletindo uma lógica mais orientada para rendimento recorrente, gestão profissionalizada e experiência do utilizador.
Capital internacional continua ativo
O investimento internacional foi outro dos grandes temas do evento. O SIMA reforçou a atratividade de Espanha — e particularmente de Madrid — enquanto destino de capital global, beneficiando de yields competitivas e de maior estabilidade relativamente a outros mercados europeus.
As sessões dedicadas ao investimento evidenciaram também a diversificação geográfica dos investidores. Mercados como Médio Oriente, Caraíbas e América Latina estiveram em destaque, com especial atenção para a República Dominicana, país convidado desta edição, que apresentou várias oportunidades nos segmentos residencial e turístico.
A mensagem transmitida ao mercado foi clara: o capital continua disponível, mas mais seletivo, privilegiando projetos com escala, clareza operacional e forte capacidade de execução.
Habitação acessível: o desafio central
A habitação acessível assumiu-se como o tema estrutural mais urgente do evento. A escassez de oferta, a pressão regulatória e o aumento da procura nas grandes cidades europeias estiveram no centro das discussões entre investidores, promotores e entidades públicas.
O consenso aponta para a necessidade de novos modelos de colaboração público-privada capazes de desbloquear nova oferta e garantir viabilidade económica em projetos de menor rentabilidade.
Tecnologia ganha peso estratégico
A inovação tecnológica voltou igualmente a marcar presença, sobretudo nas áreas do SIMA TECH e do SIMAPRO. Entre os temas mais debatidos estiveram a aplicação de inteligência artificial ao imobiliário, a digitalização de processos e o uso de dados na análise de investimento e gestão de ativos.
Embora ainda em fase de maturação em muitas organizações, a tecnologia começa a assumir um papel estrutural, não apenas ao nível comercial, mas sobretudo na eficiência operacional, planeamento e análise de investimento.
O SIMA 2026 deixou três mensagens centrais: Madrid consolida-se como hub europeu de investimento residencial; o setor acelera a transição para modelos de living mais operacionais e diversificados; e os grandes desafios dos próximos anos serão a acessibilidade da habitação e a capacidade de execução dos projetos.


