Cushman & Wakefield: 35 anos a moldar o mercado imobiliário em Portugal

01/07/2026
Cushman & Wakefield: 35 anos a moldar o mercado imobiliário em Portugal
Eric van Leuven, Executive Partner da C&W, e Paulo Sarmento, Head of Portugal da C&W

Durante os últimos 35 anos, o mercado imobiliário português sofreu transformações profundas. Passou de um setor dominado por investidores nacionais e pouca profissionalização para um mercado internacional, sofisticado e cada vez mais competitivo. Ao longo desse percurso, a Cushman & Wakefield (C&W), que presta todo o espectro de serviços no setor do imobiliário comercial, esteve presente em alguns dos projetos mais marcantes do país, acompanhando – e muitas vezes antecipando – as mudanças que moldaram o setor.

No ano em que celebra três décadas e meia de atividade em Portugal e concretiza uma passagem de testemunho na liderança, a consultora relembra o passado para projetar o futuro.

Eric van Leuven, que liderou a operação portuguesa desde a sua fundação e que agora desempenha funções como Executive Partner, e Paulo Sarmento, que assumiu a direção em janeiro passado, sentaram-se com o Público Imobiliário para fazer o balanço de uma história de sucesso.

De mercado periférico a destino de referência

Quando a Healey & Baker – predecessora da Cushman & Wakefield – adquiriu a empresa de Eric van Leuven em 1991, o panorama era radicalmente diferente do atual. "O mercado português era essencialmente local e ainda pouco profissionalizado", recorda Van Leuven. Mas a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, em 1985, tinha aberto uma janela de oportunidade e o país começou a estar na mira de empresas, retalhistas investidores e promotores imobiliários. "Tivemos o privilégio de acompanhar muitos destes intervenientes na sua entrada em Portugal. A combinação de experiência e acesso a financiamento internacionais, e o espírito empreendedor e a criatividade locais, fez com que o mercado se profissionalizasse rapidamente."

Essa profissionalização foi, em parte, acelerada pela própria C&W. Nos anos 90, a acrescentar à gama de serviços de que dispunha, a consultora foi pioneira em Portugal na oferta de gestão de imóveis e de arquitetura e gestão de projetos – serviços que hoje são considerados standard mas que, à época, representavam uma novidade no mercado nacional. Mais tarde, em 2015, a abertura de um escritório no Porto alargou a presença da consultora a um mercado que o próprio descreve com entusiasmo: "Onde se pensa e executa o imobiliário com muito arrojo."

Operações que puseram Portugal no mapa

Ao longo de 35 anos, a C&W esteve envolvida em algumas das transações mais marcantes do imobiliário português. Van Leuven destaca três momentos que considera definidores. O primeiro remonta a meados dos anos 90, quando a consultora assessorou a Pricoa, um fundo britânico, na aquisição de 50% do CascaiShopping, e a imobiliária inglesa Grosvenor na compra de 25% da Sonae Imobiliária (hoje Sonae Sierra). "Estas duas operações puseram Portugal, e nomeadamente a excelência dos seus centros comerciais, no mapa."

O segundo é a Expo 98. Como consultores da Parque Expo para a componente de retalho, a C&W ajudou a desenhar o lote comercial e lançou o concurso internacional para a venda do que viria a ser o Centro Vasco da Gama, "um dos mais premiados centros comerciais na Europa."

O terceiro exemplo é mais recente: o projeto EntreCampos, em que a consultora atuou para a Fidelidade Property na análise, valorização e aquisição em hasta pública – por 273 milhões de euros – dos terrenos da antiga Feira Popular, e onde atualmente comercializa a componente de escritórios.

A crise que fortaleceu

Trinta e cinco anos de história incluem, inevitavelmente, algumas crises. Van Leuven orgulha-se de um dado: em todos esses anos, a C&W Portugal apresentou sempre resultados positivos, chegando mesmo a ser o escritório mais rentável do grupo a nível global durante vários anos. Mas o período da intervenção da troika, entre 2011 e 2014, foi genuinamente difícil. "O mercado estava paralisado e o volume de transações era quase negligenciável. Nessa altura, a nossa grande preocupação foi manter as equipas e a cultura da empresa: apertámos todos o cinto e saímos dessa crise mais fortalecidos."

Do local ao global: a transformação dos clientes

A evolução do perfil dos clientes da C&W é, em si mesma, um retrato da maturação do mercado. "Se, no início, o mercado, ainda pequeno, era dominado por fundos imobiliários portugueses e alguns alemães, essencialmente ativos nos setores de escritórios e centros comerciais, hoje existe uma enorme variedade de intervenientes", explica Van Leuven. Investidores de toda a Europa, mas também, entre outros, dos EUA, Brasil, Israel e Turquia; setores que vão da logística à hotelaria, das residências para estudantes às residências sénior; perfis de risco que cobrem do mais oportunístico ao mais institucional. "Isto fez com que o mercado se tornasse mais complexo, mais exigente e mais sofisticado."

Uma nova liderança, o mesmo ADN

Paulo Sarmento assumiu a direção da C&W Portugal a 1 de janeiro, depois de quatro anos como Head of Transactional Services. Van Leuven mantém-se como Executive Partner, focado em clientes e novos negócios. Para Sarmento, o legado que recebe é claro – e a responsabilidade também. "O nosso ADN, laboriosamente construído pelo Eric van Leuven ao longo de 35 anos e que agora me tocou herdar, assenta em valores que defendemos intransigentemente."

Quando imagina a C&W a celebrar os 50 anos em Portugal, a ambição é precisa: "Aquilo que me dará mais orgulho ao olhar para a C&W daqui por 15 anos será que a empresa tenha reforçado a imagem que construiu nos seus primeiros 35 anos. Que os nossos clientes admirem a nossa reputação, baseada em solidez técnica, conhecimento ímpar do mercado, transparência, ética de trabalho e serviço infatigável ao cliente."

O futuro: residencial, turismo e inteligência artificial

No que respeita às tendências para os próximos anos, Sarmento não hesita: a grande mudança não está apenas em identificar os setores certos, mas sim em saber geri-los. “Não basta comprar os ativos certos. A forma como esses ativos são geridos ao detalhe, ao longo do seu ciclo de vida, tem enorme impacto na rentabilidade das operações."

Em termos setoriais, o residencial surge como prioridade máxima – "deve ser entendido como um desígnio nacional" – seguido do turismo e da hotelaria. Os data centers são identificados como uma oportunidade com potencial, mas condicionada: "Dependendo do progresso na área da inteligência artificial, poderão revelar-se importantes, embora condicionados pelo tema da disponibilidade energética do país." Internamente, a C&W aposta no crescimento nas áreas de Investimento, Project Development Services e Property Management, reforça a presença no Porto e estreita a colaboração com a operação espanhola e com a rede EMEA. "Os clientes de hoje exigem respostas multi-disciplinas e multi-geografias", conclui Sarmento.